Presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta terça-feira, que poderá conciliar as forças políticas nacionais para votar projetos de interesse do país, em um possível segundo mandato. Mesmo os partidos de oposição, segundo Lula, têm interesse em apoiar o governo em projetos de interesse social.
- Você tem partido que quer trabalhar com o governo e tem partido que quer ser contra o governo... tem muita gente do PSDB que votou projeto do governo. Aliás, eu diria que na Câmara a maioria (votou)... às vezes fazem mais barulho, menos barulho, mas acabam votando. Eu acho que o presidente da República não se compõe com A ou com B, nós compomos com a maioria no Congresso Nacional - afirmou.
O presidente falou ainda, em entrevista à rádio Bandeirantes de São Paulo, na manhã desta terça-feira, sobre as investigações relativas ao Dossiê Serra. Ele reiterou que é o principal interessado no esclarecimento do caso, principalmente, a origem do dinheiro que seria utilizado para a compra dos documentos que envolveriam o ex-ministro da Saúde e hoje governador eleito de São Paulo, José Serra, junto com o candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB), no escândalo das sanguessugas.
- Eu quero saber o conjunto da obra, porque se tem uma pessoa que foi prejudicada por isso fui eu, não foram meus adversários. Se existe uma pessoa que foi prejudicada com isso, fui eu, não foram meus adversários. Me parece que algumas pessoas só querem saber da fotografia do dinheiro. Quero saber quem arquitetou isso. Eu estava numa campanha muito tranqüila, com todas as possibilidades de matar a campanha no primeiro turno. Olhava no horizonte e não tinha uma única nuvem. Era céu de brigadeiro. E de repente acontece uma coisa abominável dessa. Outra coincidência, depois que termina o horário eleitoral gratuito, quando não tem nem como falar para a opinião pública - afirmou.
O presidente voltou a chamar de "imbecil" quem resolveu comprar o dossiê.
- O que me preocupa é por que pessoas que estavam na campanha nacional se meteram na campanha em São Paulo. Quem arquitetou isso? Eu acho estranho que a TV do meu adversário chegou antes da Bandeirantes, da Globo, do SBT, da Record. Tenho apenas indagações a fazer e as tenho feito publicamente, para explicar para à sociedade brasileira o que aconteceu neste país. Quero saber quem arquitetou, quem deu dinheiro e o conteúdo do dossiê - protestou.
'Pequenez'
Lula acrescentou que,"lamentavelmente, o Brasil tem uma cultura de ter uma política assim". Ele voltou a defender a ação da Polícia Federal e disse que "o presidente da República não julga, não prende", mas espera a investigação. O presidente-candidato classificou de "pequenez" a atitude do candidato adversário Geraldo Alckmin (PSDB) de dizer, durante debate realizado pela Rede Bandeirantes no domingo, que vai vender o avião presidencial conhecido como "Aerolula."
- A única coisa que ele (Alckmin) sabe fazer é vender coisas... Eles, o PSDB, deveriam ser candidatos a ter uma empresa de vender as empresas estatais para pagar dívida que eles mesmos contraíram - alfinetou.
Lula também disse que o avião é patrimônio do país e não dele e que "só um maluco" pode achar que isso não é importante. O presidente disse que o avião utilizado anteriormente, o Sucatão, não tinha condições de continuar operando.
- Fico irritado com a pequenez. Acho que a pequenez demonstra a falta de visão dele (Alckmin) - disse.
Reeleição
Lula também defendeu uma mudança radical na política brasileira. Segundo ele, o atual sistema está "apodrecido".
- A política brasileira precisa passar por um processo de transformação muito sério. A reforma política é peca principal. O erro não é de uma pessoa, de um partido, é de um sistema que está apodrecido. É preciso mudar radicalmente a política brasileira -