Em um mesmo discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o desempenho de Luiz Fernando Furlan à frente da pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e rebateu críticas do ministro em relação à política comercial, ao defender a aproximação do Brasil com países periféricos na economia mundial.
"Nós deixamos de ser um agente passivo para nos tornar um agente muito ativo na economia mundial. Não ficamos dependentes das duas grandes economias globalizadas, a União Européia e os Estados Unidos", afirmou Lula nesta terça-feira durante a posse da nova diretoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Na semana passada, Furlan criticou, em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", a condução da política externa brasileira ao não privilegiar esforços para abrir ainda mais os mercados europeu e norte-americano. Na mesma entrevista, o ministro mostrou sua discordância com a política de câmbio e juros.
Lula procurou mostrar que o governo buscou países como China, Índia, Rússia, África do Sul, assim como as nações da América do Sul, objetivando o maior "potencial de penetração de produtos brasileiros".
"Como temos blocos economicamente fortes e sólidos... precisávamos criar alternativas para eles descobrirem que não éramos tão dependentes deles", afirmou Lula, muito aplaudido pela platéia formada por sindicalistas, empresários e parlamentares.
O presidente lembrou que os EUA são o principal parceiro comercial do Brasil e disse que o governo seria "louco" se deixasse os norte-americanos e os europeus de lado na política externa.
"Nós nunca tivemos idéia ou intenção de brigar com os Estados Unidos até porque seria como rasgar uma nota de 100 dólares... e jamais seríamos loucos de brigar com a União Européia, sem lembrar da importância que eles têm no investimento aqui no Brasil e na compra de nossos produtos", disse Lula.
O presidente também não poupou elogios à equipe responsável pela promoção do Brasil no exterior, como os ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Roberto Rodrigues (Agricultura).
Lula enalteceu o ministro Furlan, a quem comparou, como em outras ocasições, a um vendedor ambulante. Também disse que ele se parece a um jogador do São Paulo que desafiava o Santos na época de Pelé, quando o técnico tinha o mesmo apelido do presidente, Lula.
"O que queríamos é usar um pouco de minha experiência sindical, mas sobretudo usar a experiência de negociador do Furlan... O Furlan é como um mascate... aquele que chegava com sacola no portão da gente. A mãe dizia que não queria atender, ficava lá dois minutos e voltava com uma trouxinha de roupa para pagar em 30, 20 meses", disse o presidente.
Lula esteve na posse do novo presidente do Sebrae, o ex-sindicalista Paulo Okamotto, acompanhado dos ministros José Dirceu (Casa Civil), Ricardo Berzoni (Trabalho), Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), Luiz Dulci (Secretaria-Geral) e Olívio Dutra (Cidades), além de Rodrigues e Furlan.
Em seu discurso, o titular do Desenvolvimento chegou a ironizar a presença de tantos ministros dizendo que era "ponto facultativo" nos ministérios.