Em comunicado conjunto divulgado nesta segunda-feira, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Paul Biya, da República de Camarões, reafirmaram apoio à reforma das Nações Unidas e à necessidade de ampliação do Conselho de Segurança da ONU. Paul Biya manifestou apoio à candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da organização. O comunicado informa que em agosto deverão ser fechados acordos que estão sendo negociados entre Brasil e Camarões, principalmente na área de esporte.
Depois de uma reunião de trabalho em Iaundé, capital de Camarões, os dois presidentes assinaram acordos nas áreas de agricultura, de saúde pública e educação. O Brasil vai transferir tecnologia na área de cultivo do cacau, a mais tradicional cultura de Camarões, no setor de saúde pública, para combate ao HIV e outras epidemias, e de educação, para intercâmbio de professores universitários e alunos.
O presidente Lula embarcou, na tarde desta segunda, para a Nigéria, segunda etapa da viagem à África. Após a cerimônia oficial de chegada, às 16h50, Lula manteve reunião reservada com o presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, no gabinete presidencial, seguida de reunião ampliada.
O Brasil assinará acordos diversificados com os cinco países africanos que serão visitados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até a próxima quinta-feira. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em alguns países a ênfase maior será comercial. Noutros, cultural ou política - dependendo do potencial de cada um.
- Procuramos ter uma relação equilibrada, sem discriminar países grandes e pequenos - declarou o chanceler em entrevista logo após a chegada à República de Camarões neste domingo. A missão inclui Nigéria, Gana, Guiné-Bissau e Senegal.
Amorim lembrou que, no discurso de posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou a África como prioridade de política externa. Com esta viagem, Lula terá visitado 14 países africanos desde o início de seu mandato - mais do que todos os presidentes anteriores, de acordo com Celso Amorim. Neste período, o intercâmbio comercial entre Brasil e África deu um salto.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de 2003 para 2004 a corrente comercial passou de US$ 6, 137 bilhões para US$ 10,43 bilhões. As exportações brasileiras para a região cresceram 48,42%, totalizando US$ 4,24 bilhões. As importações atingiram a cifra de US$ 6,18 bilhões - 88,75% a mais do que em 2003.
- Importamos sobretudo petróleo da Nigéria e exportamos coisas variadas de maneira bastante distribuída. Em alguns, países, como Camarões, a relação ainda é pequena comercialmente, na faixa dos US$ 30 milhões, mas há um grande potencial - assegurou.
Segundo Celso Amorim, os temas mais importantes em matéria de cooperação são pesquisa, educação e saúde. O ministro destacou , por exemplo, um acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na Nigéria. Também há grande possibilidade de ser fechado acordo de transferência de tecnologia para laboratórios de anti-retrovirais. Em Gana, deve ser assinado acordo para a criação de linhas aéreas para o Brasil - hoje, um empresário brasileiro que queira ir àquele país precisa passar por Londres. Na Guiné-Bissau, destaca-se projeto para criação de um centro de formação profissional com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), semelhante a outro feito em Angola. Quanto ao Senegal, o ministro destacou a relação de ordem cultural - por sugestão do Senegal, a próxima reunião dos intelectuais africanos será no Brasil em 2006.
Temas multilaterais devem entrar na pauta em todos os países visitados. A reforma das Nações Unidas, segundo o ministro, será tratada, pois é um tema que está na ordem do dia. Celso Amorim enfatizou, no entanto, que não é o caso de pedir manifestação explícita de apoio ao Brasil a uma vaga no Conselho de Segurança pois demandaria reciprocida