O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reunir em março ou abril empresários brasileiros e estrangeiros para avaliar "um pacote de oportunidades" para projetos de parceria público-privadas (PPPs) em infra-estrutura.
"Nós agora vamos começar a fazer o bom desafio aos empresários brasileiros, vamos começar a desafiar os empresários para começarmos a discutir os principais projetos de infra-estrutura deste país", disse Lula, ao inaugurar nesta terça-feira a usina hidrelétrica Monte Claro, em Veranópolis, no Rio de Grande do Sul.
Bastante otimista, o presidente disse acreditar que o país pode voltar a crescer mais de 5 por cento este ano.
"Quando vejo os deuses das estimativas começarem, em janeiro, a dizer o que vai acontecer em dezembro, eu fico pensando: será que essas pessoas não acreditam? Será que nós somos estáticos, que não fazemos as coisas mudarem?", perguntou Lula.
Ele lembrou que as projeções no início de 2004 apontavam para uma expansão de 3,5 por cento no ano, enquanto entre janeiro e setembro a expansão foi de 5,3 por cento. As estimativas agora 2005 estão em torno de 3,6 por cento.
O presidente fez questão de ressaltar que não faltará energia para alimentar o crescimento.
"Este país não será pego de sobressalto, em nenhuma aventura irresponsável, e muito menos voltaremos a ter apagão", disse. "Hoje o povo sabe que temos mais energia do que a demanda, temos uma reserva e vamos produzir muito mais."
A usina Monte Claro tem potência instalada de 130 Megawatts (MW) e faz parte do Complexo Ceran. O projeto prevê ainda a construção, já em andamento, das usinas de Castro Alvez, com 130 MW de potência, e da 14 de Julho, com mais 100 MW, todas localizadas no Rio das Antas.
No total, segundo Lula, 11 hidrelétricas e uma termelétrica entram em operação este ano, incorporando 3 mil Megawatts ao parque gerador nacional.
O presidente repetiu a necessidade da "prudência" econômica dos dois últimos anos, dizendo que o governo está com as contas equilibradas e não permite que a euforia leve a gastos irresponsáveis.
"Já vivemos outros momentos na história deste país que parecia que nós íamos deslanchar e, de repente, fomos dormir devendo 100 e acordamos devendo 400 (...) não achamos que o Brasil deve passar por um susto outra vez."
Prometendo não desperdiçar a boa conjuntura econômica para garantir um ciclo de desenvolvimento sustentável do país, Lula reafirmou que não governará os próximos anos de olho nas eleições de 2006.
"Sempre que tem eleição, muitas vezes a cabeça do político não pensa em mais nada a não ser na eleição. E aí, ao invés de pensar o futuro do país para daqui a 30 anos, começa a fazer curativos, começa a fazer obras imediatas que, às vezes não produzem nada ao longo do tempo. Nós não iremos fazer isso."