Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Lula quer ouvir de Sarney interesse pelo Senado

Terça, 13 de Janeiro de 2009 às 16:46, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deseja ouvir do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) se realmente quer se candidatar à presidência do Senado, afirmou na terça-feira o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

Como nos últimos encontros que tiveram Sarney disse a Lula que não pretendia se candidatar, o Executivo reforçou a campanha do senador Tião Viana (PT-AC). Com a suposta mudança de Sarney, que vinha afirmando que só aceitava participar da eleição se seu nome fosse objeto de consenso entre os colegas, o PMDB poderia controlar as duas Casas do Congresso, já que o deputado Michel Temer (PMDB-SP) obteve o apoio de diversos partidos governistas e da oposição para presidir a Câmara.

- A gente tem que primeiro ouvir dele (Sarney) para ver se ele mudou (de opinião) para a partir daí tomar providências - disse o ministro a jornalistas, revelando que o Palácio do Planalto só soube que Sarney poderia ter mudado de idéia por meio da imprensa e de terceiros.

Múcio sublinhou que o governo não vai "atropelar os fatos" e, por enquanto, continua apoiando Viana. O ministro sinalizou, entretanto, que o governo pode alterar o rumo de sua participação na campanha.

Fontes do PMDB e do Palácio do Planalto disseram mais cedo que um encontro entre Lula e Sarney deveria ocorrer na semana que vem, mas o ministro disse que a reunião pode acontecer na quarta-feira.

- O governo quer ser parceiro do resultado (da eleição da sucessão no Congresso) - disse o ministro.

Para o governo, reafirmou Múcio, o ideal seria a divisão de poderes entre o PMDB e o PT. O primeiro partido presidiria a Câmara com Temer, enquanto os petistas comandariam o Senado.

Com esse cenário de equilíbrio de forças em xeque, o presidente Lula deve se reunir também com o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), para evitar que o caso gere uma crise na coalizão que dá sustentação ao Executivo no Congresso. Mesmo assim, Múcio considerou compreensível e correta a disposição de Viana de não desistir da candidatura.

O outro candidato à presidência do Senado é Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que tenta a reeleição. Garibaldi chegou a dizer que poderia desistir da disputa em favor de Sarney se a bancada do PMDB pedisse. Nesta terça-feira, no entanto, Viana e Garibaldi conversaram e decidiram não abrir mão das candidaturas. Os dois ficaram de fazer uma declaração conjunta manifestando essa intenção.

- Só o jogo combinado para não deixar ninguém se achando diminuído - afirmou Múcio, ressaltando que mudanças no ministério como forma de compensar eventuais perdedores não estão em pauta no momento.

Principal articulador político do Executivo, Múcio reconheceu que o governo precisa evitar uma retaliação do PT ao PMDB na Câmara se de fato Sarney se candidatar. Os dois partidos têm um acordo para se revezarem no comando da Câmara.

- A gente tem que administrar com cuidado para que não haja contaminação - afirmou.

Múcio disse que deve ir ao Congresso nos próximos dias, com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para voltar a debater as propostas do governo para a reforma política.

Todos esses temas foram debatidos durante a reunião de coordenação política do governo, da qual também participaram, além do presidente Lula e de Múcio, o vice-presidente, José Alencar, e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência), Franklin Martins (Comunicação Social) e Tarso Genro (Justiça).

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