Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Lula quer manter rigor financeiro das contas públicas em ano eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, em discurso durante evento sobre o programa social Territórios da Cidadania, que o governo manterá os atuais pilares macroeconômicos neste ano eleitoral. Lula disse ter certeza de que suas ações terão "continuidade" após as eleições de outubro. Presidente está confiante que fará Dilma Rousseff sua sucessora

Quarta, 24 de Março de 2010 às 09:22, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, em discurso durante evento sobre o programa social Territórios da Cidadania, que o governo manterá os atuais pilares macroeconômicos neste ano eleitoral.

– Não podemos brincar com a economia. Não vamos brincar com a estabilidade econômica, ela tem que ser mantida. A questão fiscal tem que ser tratada com muita seriedade, e a inflação tem que ser controlada – afirmou o presidente.

Lula disse ter certeza de que suas ações terão "continuidade" após as eleições de outubro. Mesmo sem mencionar o nome da pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o presidente garantiu que vai deixar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) pronto para o seu sucessor. Trata-se do principal tema da campanha petista à sucessão presidencial.

– Um programa como esse é irreversível. Tenho consciência que vamos ter continuidade. Dia 29 (antes da ministra Dilma se desincompatibilizar para concorrer às eleições) vamos lançar o segundo PAC. Apenas por questão de responsabilidade. Eu não posso permitir que quem vier depois de mim perca um ano fazendo o programa. Quando essa pessoa chegar, vai ter o programa pronto – afirmou.

Enquanto Lula falava, o nome de Dilma foi gritado em coro pela platéia. Lula sorriu e disse que ainda não pode dizer quem será o novo presidente, mas tem "consciência" do que vai acontecer no país.

– Eu não posso dizer quem vai ser porque vamos aguardar. Eu não posso dizer, apesar de na minha cabeça eu ter consciência do que vai acontecer nesse país este ano. Tenho consciência disso – disse.

Ainda em seu discurso, o presidente garantiu que não vai permitir a "paralisia" do governo federal em ano de eleições. Embora reconheça que parte dos ministros vá deixar os cargos para disputar as eleições, em outubro, Lula lembrou que tem o "compromisso sagrado" de não "parar de governar o país" por causa das eleições.

– Quero separar as eleições das ações do governo. Os ministros têm tarefas a cumprir. Se todo mundo resolver abandonar o barco, a gente termina o ano sem cumprir os compromissos que assumimos. O compromisso sagrado nosso é não parar de governar esse país por conta das eleições – continuou.

Os ministros que deixam os cargos, no final deste mês, segundo Lula, serão substituídos por secretários-executivos de cada pasta.

– Vai sair uma série de ministros, não vou trocar muita gente, vou colocar os secretários-executivos que é quem está tocando os ministérios até agora, salvo algumas exceções. Não terá nervosismo porque temos consciência do que queremos até o final do mandato – afirmou.

Um dos cotados para deixar o governo é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Apesar da promessa de controlar os gastos, Lula destacou que o governo aumentará programas que ampliem a renda dos mais pobres. Para ele, iniciativas como essas foram as responsáveis pela redução dos impactos negativos da crise financeira global sobre a economia brasileira.

– Vamos fazer mais política social. Apenas começamos a fazer política social – assegurou.

À vontade

Usando um boné do programa "territórios da cidadania", Lula esbanjava sorrisos. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, o governo vai dar continuidade ao programa mesmo em ano eleitoral.

Entre as medidas adotadas, o ministro, está a retirada dos municípios que integram o programa da "lista negra" do governo federal que impede repasses públicos.

– Vamos ainda mais longe. Em 2010, quero anunciar que vamos investir R$ 27 bilhões nos territórios da cidadania. Serão 189 ações do governo e mais de 5.200 obras a serem realizadas até dezembro deste ano, portanto, nos próximos nove meses – afirmou

No encontro, o presidente assinou o projeto de lei que considera transferência obrigatória de despesas aos municípios que fazem parte dos territórios da cidadania.

– A gente está retirando os municípios do Calc (cadastro federal que impede repasses de verbas da União àquelas prefeituras com dívidas) – concluiu.

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