Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Lula quer manter conversa "sem amargura" com presidente

Candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que pretende ter uma conversa sem "amarguras" com o presidente Fernando Henrique Cardoso, que na segunda-feira receberá os quatro principais presidenciáveis em Brasília para discutir economia e a transição do governo. Sua intenção, disse o petista, é apresentar propostas, sem levar idéias previamente concebidas de como deve transcorrer o encontro. "Um político não tem que se preocupar com muita prevenção", disse Lula em Foz do Iguaçu, na fronteira do Paraná com Paraguai e Argentina. "Se você vai conversar de forma já pré-concebida do que vai acontecer, você já vai amargurado, trancado e até reprimido. Quero ir aberto", disse.

Quarta, 14 de Agosto de 2002 às 14:57, por: CdB

O candidato do PT afirmou que está preparando as propostas que vai apresentar a Fernando Henrique, mas não quer que o presidente tenha conhecimento delas por meio da imprensa. Apesar do tom amigável das declarações, Lula não dispensou criticas ao presidente. "Eu conheço o Fernando Henrique e ele me conhece, eu conheço os problemas do Brasil, mas ele parece que não conhece", disse. "Eu sei o que quero para o País e vou dizer com a maior clareza." Na terça-feira, em Umuarama, Lula afirmou que iria falar com governo, mas que o PT já havia dado todas "as orientações" de mudanças que achava necessárias para lidar com a atual crise financeira. Lula fez um apelo para que os outros candidatos que também se encontrarão com o presidente levem propostas concretas para tentar resolver as dificuldades econômicas do País e, depois da conversa, as tornem públicas. "Acho importante que todos os candidatos conversem e digam o que querem, não apenas para o Fernando Henrique, mas para também para a imprensa." No segundo e último dia de viagens pelo Paraná, o candidato petista foi recebido em Foz do Iguaçu em um encontro com empresários, comerciantes, políticos e militantes, num hotel do centro. No discurso, destacou o potencial turístico da região, por causa das cataratas, e criticou o governo por não aproveitar isso. O prefeito Celso Samis da Silva, que é do PMDB - partido coligado nacionalmente com o PSDB -, passou por um constrangimento no encontro, ao ser vaiado por parte dos militantes petistas quando foi anunciado para discursar. Mas Silva contornou a situação, dizendo que, "apesar da aliança nacional", ele estava ali com a mesma finalidade de todos, "que é eleger Lula presidente." O PT e o PMDB paranaense tem relações estreitas. Tanto que na terça-feira, em Curitiba, Lula fez uma visita ao candidato peemedebista ao governo, o senador Roberto Requião, que declarou apoio ao petista.

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