Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2026

Lula quer Fundo Internacional para combater a miséria

Em seu primeiro pronunciamento diante de líderes do mundo industrializado, reunidos no Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, exortou a comunidade internacional a criar um novo fundo para combater a miséria e a fome, e ressaltou que conflitos internacionais deveriam ser resolvidos através das Nações Unidas.

Domingo, 26 de Janeiro de 2003 às 16:56, por: CdB

Em seu primeiro pronunciamento diante de líderes do mundo industrializado, reunidos no Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, exortou a comunidade internacional a criar um novo fundo para combater a miséria e a fome, e ressaltou que conflitos internacionais deveriam ser resolvidos através das Nações Unidas. "Eu proponho formar um fundo internacional para lutar contra a miséria, a fome e a pobreza nos países do Terceiro Mundo", disse Lula neste domingo, em um dos mais aguardados discursos no fórum de Davos. Esse fundo, acrescentou o presidente brasileiro, poderia ser criado pelo Grupo dos Sete países (G7) mais industrializados, com apoio de investidores internacionais. E numa referência indireta ao Iraque, Lula reiterou que as Nações Unidas deveriam ser o fórum para resolver disputas internacionais, por meios pacíficos. O presidente defendeu uma nova ordem mundial como alternativa para o crescimento econômico e ressaltou a necessidade de se pôr um fim a políticas protecionistas por parte dos países desenvolvidos. "De nada adianta nosso esforço exportador se os países desenvolvidos permanecerem com o protecionismo", afirmou. O presidente lembrou que seu governo terá como prioridade o combate à pobreza. "Quero que os brasileiros possam todo o dia tomar café, almoçar e jantar", disse para uma platéia formada por empresários, autoridades políticas, pesquisadores e jornalistas. Em seu discurso de pouco menos de 20 minutos, Lula aproveitou ainda para reforçar a necessidade do combate ao terrorismo e à corrupção e defendeu as ações de busca pela paz. "A construção de uma nova ordem mundial não é apenas sinal de boa vontade, mas de inteligência", disse. Encontros bilaterais Pela manhã, o presidente brasileiro manteve uma série de encontros bilaterais com líderes mundiais, tendo como tema dominante a situação econômica internacional. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, os encontros com líderes de Finlândia, Jordânia, Ucrânia e Suíça foram uma oportunidade para que Lula conhecesse mais autoridades mundiais. "As reuniões tiveram ênfase, sobretudo, nas relações bilaterais. O presidente também expôs a importância que tem dado a temas sociais e ao combate à fome", acrescentou o chanceler. Na audiência que Lula teve com o rei da Jordânia, Abdullah II, Amorim disse que o presidente expôs o interesse brasileiro em desenvolver relações econômicas com os países árabes. "Ficamos de combinar a melhor maneira de fazer isso. A Jordânia é um país pivô ali", afirmou. O possível conflito no Iraque também foi abordado na reunião de Lula com o monarca jordaniano. De acordo com Amorim, os países árabes estão preocupados com a guerra como todo o mundo, e o Brasil, como país importador de petróleo, sofrerá conseqüências negativas caso a economia mundial também seja afetada. O ministro disse que a visão externa sobre a economia brasileira é muito positiva e ressaltou que o ponto de vista do presidente Lula em conciliar uma economia sustentável com o desenvolvimento social já é hoje uma compreensão dos grandes líderes mundiais. "Não temos que ter preocupação de ficar agradando o mercado. Se fizermos as coisas certas, o mercado vai compreender de maneira correta", completou.

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