Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

Lula quer evitar que protecionismo agrave ainda mais a crise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a alertar, nesta quinta-feira, para os riscos de um aumento do protecionismo decorrente da atual crise financeira global. Ele discursou, pela manhã, na abertura de seminário organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. (Leia Mais)

Quinta, 05 de Março de 2009 às 09:03, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a alertar, nesta quinta-feira, para os riscos de um aumento do protecionismo decorrente da atual crise financeira global. Ele discursou, pela manhã, na abertura de seminário organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

– Não podemos passar do vale-tudo financeiro, que jogou o planeta na situação atual, para um vale-tudo protecionista, que certamente (nos jogará) em uma crise ainda pior do que aquela que resultou na 2a Guerra Mundial – disse. Na segunda-feira, ele já havia dito que o aumento das medidas protecionistas levariam ao caos.

No seminário, voltado à discussão do desenvolvimento do país em tempos de crise, Lula também apóia a idéia de os países mais diretamente envolvidos na turbulência internacional estatizarem os bancos. Esta seria, segundo Lula, a saída para o retorno do crédito, que secou durante a crise.

– Será que os países ricos vão continuar apenas colocando dinheiro com o intuito de salvar os bancos ou será que algum país terá coragem de, sem medo da palavra, estatizar os bancos, recuperá-los e fazer voltar o crédito –, disse Lula em seu discurso.

Ainda durante sua participação no seminário, Lula disse que incentiva os presidentes de outros países para que hajam de forma mais ativa para conter os reflexos da crise internacional. Para ele, é fundamental que o Estado assuma a liderança no gerenciamento econômico.

– Estou convencido de que a saída para esta crise que estamos vivendo acontecerá se os governantes do mundo assumirem seu papel. A decisão que temos que tomar daqui para frente é saber se o Estado voltará a gerenciar a economia, mas com boas políticas que devem ser colocadas em prática no mundo inteiro – disse.

Pior fase

O embaixador José Botafogo Gonçalves, que também participa do seminário e integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), acredita que a crise ainda não chegou a sua pior fase.

– Eu creio que ainda não chegamos no fim do poço, sobretudo na parte financeira, que é a que está mais amarrada com a crise – disse.

José Botafogo acredita que o Brasil não tem razões para alardes, pois o país pode fazer muita coisa para minimizar os efeitos da crise. Ele ressalta ainda que esse é o objetivo do encontro de hoje.

O empresário Horácio Lafer Piva, que também integra o CDES, concorda que que 2009 será um ano muito difícil para o Brasil. Para ele, em 2010, no entanto, o país deve entrar em um processo de recuperação econômica, influenciado principalmente por fatores como o aumento do superávit comercial e a redução da dependência de crédito de bancos internacionais.

Segundo ele, o Brasil está em uma situação econômica  muito melhor em relação a outros países diante da crise financeira mundial, mas não pode cultivar um sentimento nem de pessimismo nem de otimismo exagerado.

– O Brasil, por estar inserido na competição global, paga também essa conta – disse Piva, que participa do seminário.

Paradigma

O empresário Gabriel Jorge Ferreira, representante da Confederação Nacional das Instituições Financeiras, disse ao chegar para o seminário que o Brasil pode servir de paradigma na questão da regulação bancária. Esse é um dos temas tratados no encontro promovido pelo CDES. Segundo Ferreira, o sistema financeiro nacional está bem estruturado, com normas conservadoras e prudentes. Ele lembrou que é grande a diferença que se vê hoje no sistema bancário brasileiro, que é bastante saudável, comparado com os outros sistemas no mundo, e isso faz com que o país tenha papel importante diante da crise.

O empresário lembrou ainda que Ben Bernake, que dirige o Federal Reserve (FED, o banco central norte-americano, na sigla em inglês), chegou a afirmar que o modelo brasileiro seria um bom exemplo para o mundo em termos de qualidade de supervisão bancária e em termos de regras prudenciais. Gabriel Ferreira  disse que na década de 80, os bancos brasileiros não conseguiam abrir uma agência no exterior porque os Estados Unidos alegavam que a supervisão do Banco Central brasileiro era falha.

– Hoje, vemos que a situação se inverteu e os nossos bancos estão bem consolidados – concluiu.

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