O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, na manhã desta terça-feira, o canteiro de obras do complexo siderúrgico ThyssenKrupp CSA, instalado no Distrito Industrial de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Considerada uma das maiores produtoras de aço do mundo, a ThyssenKrupp Steel participa com 90% dos recursos, e a Vale, responsável pelo fornecimento de minério de ferro, entra com 10%. O valor do empreendimento é de R$ 8 bilhões, sendo R$ 1,48 bilhão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Ainda no Rio, Lula inaugurou a fábrica de pneus da empresa Michelin, no bairro Campo Grande, Zona Oeste do Rio. Segundo a empresa, foram investidos US$ 200 milhões na fábrica, com capacidade de produzir mais de 40 mil toneladas de pneus por ano. E no mesmo bairro, logo em seguida, o presidente inaugurou uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) 24 horas. Trata-se de um pequeno pronto-socorro, que funciona 24 horas, para atender situações de emergência. A unidade recebeu investimento de R$ 1,2 milhão da Secretaria de Saúde do Estado. Segundo o Ministério da Saúde, a meta é implantar 132 novas unidades até 2011.
Um cassino
Na noite passada, em Buenos Aires, em conversa com jornalistas, o presidente observou que a América do Sul precisa ajudar Cuba a buscar o desenvolvimento agora, na era pós-Fidel, para que a ilha não volte a ser "um cassino" dos EUA.
- Todos nós na América do Sul precisamos contribuir para que Cuba não volte a ser um cassino. Precisamos contribuir para que se aproveite todo o seu potencial intelectual, o potencial educativo do seu povo, e se transforme em um país mais próspero, mais desenvolvido - afirmou Lula ao canal de notícias TN.
O pronunciamento de Lula ocorreu horas após a Assembléia Nacional cubana escolher Raúl Castro, de 76 anos, para substituir seu irmão Fidel, de 81 anos.
- Estou convencido de que Cuba não voltará a ser o que era nos tempos de Fulgencio Batista. Cuba é um povo muito orgulhoso, extraordinariamente politizado, um povo com a formação adequada, e acho que vai se sair bem desta - acrescentou Lula.
O presidente brasileiro foi um dos últimos chefes de Estado a visitar Cuba antes que Fidel anunciasse sua aposentadoria. Lula acrescentou, na entrevista à TN, que na ocasião era visível a lucidez política de Fidel, afastado desde julho de 2006 da rotina governamental devido a problemas de saúde. Na época, o afastamento de Fidel despertou dúvidas sobre possíveis reformas no país, mas seu irmão Raúl garantiu que seriam apenas mudanças limitadas, enquanto os cargos do governo permanecem com os veteranos da Revolução.
Lula também disse ter pedido a empresários brasileiros que invistam em Cuba.
- Decidimos ajudar os cubanos a fazer uma estrada, a principal estrada de Cuba. Estamos fazendo acordos com laboratórios, acordos para a recuperação de hotéis. Acho que é assim que vamos ajudar Cuba: sem nenhuma ingerência política, e sim com muita vontade de ajudar os cubanos a fazer o que precisam que seja feito - concluiu.