Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Lula 'quer distância' de Sarney, afirma jornal norte-americano

Terça, 04 de Agosto de 2009 às 06:49, por: CdB

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, "quer distância" do senador José Sarney. É o que afirmou, na edição desta terça-feira, o diário norte-americano Wall Street Journal. No texto intitulado "Líder brasileiro quer distância de aliado", o correspondente do jornal em São Paulo, John Lyons, afirma que Lula "enfrenta um possível revés em meio a alegações de corrupção que colocaram pressão para que um importante aliado renuncie do comando do Senado".

O jornal diz que inicialmente Lula defendeu Sarney das acusações, mas que na semana passada, em uma entrevista coletiva, o presidente brasileiro "indicou que cortou seus laços, sugerindo que não vai mais defender Sarney".

"Uma aliança com Sarney ajudou a garantir maiorias para Lula e seu partido de esquerda, o PT, nos últimos anos."

O jornal enumera algumas ações de Sarney e diz que o presidente do Senado tem falado que não vai renunciar ao cargo: "Sarney pode enfrentar a tempestade. Mesmo se ele renunciar como presidente do Senado, ele provavelmente continuará sendo senador, dizem muitos analistas". "Ainda assim, uma renúncia sacudiria Sarney justo quando o presidente Lula precisa dele para liderar uma investigação no Congresso sobre práticas contábeis na estatal do petróleo (Petrobras)."

A reportagem também afirma que Sarney é importante para agregar votos a Dilma Rousseff, a candidata escolhida por Lula para as eleições presidenciais de 2010. "Depois de dois mandatos no poder, Lula não pode se reeleger, e os índices medíocres de popularidade de Rousseff sugerem que ela vai precisar de uma coalizão multipartidária para vencer", diz a publicação.

Tempo quente

Na noite passada, terminou em bate-boca o discurso feito pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). Mais uma vez, o parlamentar peemedebista defendeu a saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Durante o pronunciamento do senador gaúcho, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), aliados de Sarney, fizeram duras críticas a Simon. Em um aparte, Calheiros disse que o esporte preferido de Simon é falar mal de Sarney.

– As pessoas intrigam, mas eu gosto de Vossa Excelência. Só lamento que o esporte preferido do senhor nos últimos 35 anos tenha sido falar mal do Sarney. Quando o PMDB indicou o presidente Sarney para ser vice-presidente do Tancredo Neves, desde aquele momento que o senhor fala mal do Sarney, porque queria ser o candidato a vice-presidente do PMDB e não conseguiu – disse Renan.

Simon rebateu:

– Isso é mentira, o senhor está inventando.

Calheiros ainda afirmou que Simon teria, em reuniões fechadas, apoiado a candidatura de Sarney à presidência do Senado.

– Sou testemunha das reuniões da bancada em que Vossa Excelência pedia que o Sarney saísse presidente do Senado. Não entendo como Vossa Excelência fala mal de algumas pessoas, pede para as pessoas saírem e, em circunstâncias iguais, Vossa Excelência cala, silencia. Isso é o que lastimo em Vossa Excelência – argumentou Renan.

O senador gaúcho reagiu, dizendo que Calheiros muda de posição conforme seus interesses políticos:

– Recebo as afirmações de Vossa Excelência com muita tranquilidade. Acho que Vossa Excelência, como líder e como presidente (ex-presidente do Senado), é uma figura controvertida. O senhor fez um acordo na China com o Collor e, na véspera dele ser cassado, o largou.

Visivelmente nervoso, com respiração afegante, Collor disse que Simon deveria “engolir” e “digerir” suas palavras “como julgar conveniente”.

– As minhas relações com o senador Renan Calheiros são conhecidas e das quais não me arrependi – disse Collor.

O político alagoano negou a existência da reunião com Renan na China.

– O senhor fala sem saber o que aconteceu, não é testemunha. Tudo aquilo é pura invencionice – afirmou Collor.

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