Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Lula quer chamar EUA para conversar sobre IV Frota e bases militares na Colômbia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva posicionou-se a favor de uma reunião entre a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e os Estados Unidos, para se discutir as relações entre esse país e a região. Em Quito, onde participa da III Reunião Ordinária do Conselho dos chefes de Estado e de Governos da Unasul, Lula expressou sua preocupação com relação à IV Frota norte-americana. Para Lula, a área de atuação da frota alcança o pré-sal brasileiro. (Leia Mais)

Segunda, 10 de Agosto de 2009 às 12:10, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva posicionou-se a favor de uma reunião entre a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e os Estados Unidos, para se discutir as relações entre esse país e a região. Em Quito, onde participa da III Reunião Ordinária do Conselho dos chefes de Estado e de Governos da Unasul, Lula expressou sua preocupação com relação à IV Frota norte-americana. Para Lula, a área de atuação da frota alcança o pré-sal brasileiro – campos petrolíferos brasileiros localizados a quase 7 mil metros de profundidade, nas águas entre Espírito Santo e Santa Catarina. O presidente também expressou sua preocupação com a tensão na região em consequência da anunciada instalação de bases norte-americanas na Colômbia.

Ele deixou ainda aberta a possibilidade de uma cúpula extraordinária da Unasul discutir a presença militar dos Estados Unidos na Colômbia, ao afirmar que os ministros da Defesa e das Relações Exteriores se reunirão no próximo dia 24 em Quito e que após estes encontros poderia ser convocada outra reunião. Antes, o presidente equatoriano, Rafael Correa, que assumiu nesta segunda-feira a liderança da Unasul, anunciou a possibilidade de uma reunião especial de presidentes para analisar o tema.

Correa advertiu que tal acordo é "extremamente grave" e constitui "uma provocação aberta aos países que já fomos agredidos". Por sua vez, a mandatária argentina, Cristina Kirchner, falou sobre a situação de "beligerância" da região.

– Há fatores endógenos e exógenos que estão criando uma situação de riscos – disse Cristina, e considerou ser necessário que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, participe das discussões. É preciso "acabar com as desculpas" e garantir a presença de Uribe, declarou Cristina. O mandatário da Colômbia não viajou a Quito para a cúpula da Unasul, ele enviou um representante do país. Contudo, antes ele visitou sete países da região, entre eles Argentina e Brasil, para explicar o acordo que negocia com os EUA.

Se aprovado, o acordo permitirá aos norte-americanos manter 1,4 mil pessoas, entre militares e civis, em bases na Colômbia, pelos próximos dez anos. Os dois aliados afirmam que o acordo não é novo, mas apenas uma extensão do acordo de combate ao narcotráfico e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) chamado de Plano Colômbia; e argumentam que todas as bases permanecerão sob o controle colombiano.

O acordo, porém, gerou tensão e discursos sobre uma possível corrida armamentista na região. No Brasil, o assunto gerou especial desconfiança depois de vir à tona a informação de que os aviões norte-americanos que vão operar na base de Palanquero, no centro da Colômbia, têm um raio de ação muito superior ao necessário para o combate ao narcotráfico.

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