As negociações para a reforma ministerial devem ser concluídas entre esta segunda-feira e a próxima sexta-feira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escalou o chefe da Casa Civil, ministro José Dirceu, e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), para avançar as discussões com os partidos aliados.
Os dois têm sido os principais interlocutores do presidente nessa fase final de parcerias políticas para a reforma. Até o início da noite de ontem, no entanto, as consultas aos partidos da bancada governista não haviam sido concluídas. Como, ao contrário do que ocorreu por ocasião da reforma de janeiro de 2004, Lula está mais introspectivo, cercando-se de cuidados para evitar fornecer pistas de alguma decisão, ministros do núcleo político do governo arriscam cenários e montam quebra-cabeças a partir de apreensões manifestadas pelo presidente nos últimos dias.
Por exemplo, segundo ministros ligados a Lula, uma coisa é clara e certa: o presidente está disposto a consolidar na reforma o chamado governo de coalizão. A grande dúvida dos auxiliares mais próximos do presidente é saber qual será a amplitude desta coalizão. Porque, ao mesmo tempo em que os aliados deixam patente que não pretendem mais dar apoio incondicional ao Planalto no Congresso sem algo em troca (leia-se ministérios e cargos), o PT resiste em ceder espaço na Esplanada, apesar de a retórica dos dirigentes do partido ser diferente.
A equação não é fácil, dizem os integrantes do primeiro escalão. O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini (PT), por exemplo, é uma das opções de Lula para reforçar a tropa de choque do governo no Congresso. Retomaria o mandato de deputado, abrindo vaga na Esplanada para um partido aliado. Ou, como faz figa o PT, para o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. Mas a demissão de Berzoini desagrada a um dos homens fortes do governo, o secretário de Comunicação, ministro Luiz Gushiken. O presidente também não está convencido de que remanejar Aldo seria a melhor alternativa
A demissão do ministro da Saúde, Humberto Costa, também poderia resolver dois problemas com uma cajadada só. A pasta seria aceitável pelo ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que cederia o atual posto para o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira (PMDB), ou para a senadora Roseana Sarney (PFL-MA), que, por sua vez, assumiria como cota pessoal do senador e seu pai José Sarney (PMDB-AP). Mas o PT não quer prescindir de Humberto Costa, um potencial candidato ao governo de Pernambuco, em 2006.
Os prefeitos do PT, igualmente de olho nos dividendos eleitorais, também pressionam pela permanência de Olívio Dutra no Ministério das Cidades, acalentado por todos os partidos, inclusive o PP, que não aceita mais uma pasta esvaziada. O Ministério das Cidades também é alvo da cobiça do PMDB.
O PP aceitaria o Planejamento, mas, para evitar atritos com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, nos últimos dias cresceu a adesão à tese de que um petista deveria ocupar o cargo. O mais cotado é o deputado Paulo Bernardo (PT-PR).
O PMDB do Senado, por sua vez, quer emplacar o senador Romero Jucá no Ministério da Previdência. O PMDB da Câmara, ou o remanejamento de Eunício para uma pasta mais robusta de verba e cargos ou a manutenção das Comunicações mais a presidência da estatal Infraero, cuja indicação ficaria a cargo dos governistas do partido na Casa.