O presidente de honra do PT e virtual candidato à Presidência da República em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou na noite desta quinta-feira a disposição do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, de permanecer no cargo após o fim do governo Fernando Henrique Cardoso, caso o Congresso aprove a independência do BC. Lula classificou de "intromissão" a proposta de desvincular o Banco Central do governo federal. "O Armínio tem mais é que trabalhar para este governo e, pelo amor de Deus, não se intrometer no que vai acontecer a partir de janeiro de 2003", disse Lula, antes de participar de debate com sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Brasília. "Não podemos aceitar que o governo tente mudar as regras quando o jogo está para terminar. Isso não aceitável no futebol nem na política", criticou. O provável candidato do PT à Presidência disse que a preocupação do governo Fernando Henrique é com a continuidade da política econômica externa do Brasil após as eleições do ano que vem. "O governo está comprometido com orientações do Fundo Monetário Internacional e tem medo que o próximo governo mude", afirmou Lula. Durante palestra para cerca de 400 sindicalistas no Congresso da CUT para os Trabalhadores do governo do Distrito Federal, Lula ironizou a proposta de independência do BC, apontando que o atual modelo já garante autonomia ao órgão. Ele citou como exemplo a venda de dólares abaixo do preço de mercado para os Bancos Marka e FonteCindam, em 1999, na época da desvalorização cambial. "Como pôde o Chico Lopes (ex-presidente do BC) emprestar R$ 2 bilhões para o Marka e o FonteCindam e o Malan (Pedro Malan, ministro da Fazenda) dizer que não sabia? Para que mais independência do que isso?", provocou. Segundo Lula, a proposta de autonomia do Banco Central tem como objetivo deixar o próximo governo de "mãos atadas", para garantir que siga o receituário do FMI. Lula criticou o governo federal por não conceder reajuste ao funcionalismo público em greve. Ele defendeu ainda a ampliação das bandeiras do movimento sindical, como uma ação política mais eficaz. Segundo o líder petista, os sindicatos devem agir diferentemente diante de um "governo de esquerda ou de direita". "Não é por 5% de aumento que vamos comprometer nosso projeto de sociedade", afirmou.
Lula quer Armínio longe do Banco Central
Os vários comentários tecidos por Armínio Fraga Neto, presidente do BC, de que gostaria de permanecer no cargo mesmo após as eleições levaram o candidato do PT à Presidência da República a chamá-lo de intrometido
Quinta, 16 de Agosto de 2001 às 21:52, por: CdB