Rio de Janeiro, 13 de Outubro de 2026

Lula propõe criação de 'nova ordem mundial'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta segunda-feira, a criação de uma "nova ordem" econômica mundial que dê prioridade ao ser humano e não à especulação financeira. Ele foi recebido, no palácio presidencial, pelo presidente da República Italiana, Giorgio Napolitano. Presidente classifica origem da crise na especulação financeira

Segunda, 10 de Novembro de 2008 às 11:01, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta segunda-feira, a criação de uma "nova ordem" econômica mundial que dê prioridade ao ser humano e não à especulação financeira. Ele foi recebido, no palácio presidencial, pelo presidente da República Italiana, Giorgio Napolitano.

– A atual crise financeira constitui uma extraordinária oportunidade para que possamos refletir sobre os erros e para criar uma nova ordem mundial na qual o ser humano, o trabalhador, o desenvolvimento e a produção cultural, científica e tecnológica sejam o verdadeiro motivo da economia e não a especulação financeira – afirmou Lula após a reunião no Palácio de Quirinale.

Pela manhã, na mensagem gravada em seu programa de rádio semanal, Café com o Presidente, Lula bateu na mesma tecla ao afirmar que o sistema financeiro internacional precisa de regulação dos Estados e que não deve ser visto como um “cassino”. Ele destacou que os países devem acumular riquezas com a  geração de emprego e renda e não apenas com a especulação.

– Sabemos de onde veio a crise, sabemos o que foi que gerou essa crise e sabemos que o sistema financeiro internacional tem que ter um certo controle do Estado. Tudo na vida é regulado. O que queremos é que o sistema financeiro exista cada vez mais forte para ajudar o desenvolvimento do país, da indústria e da agricultura – disse.

Lula afirmou ainda esperar que no próximo encontro do G-20 – grupo composto pelas maiores economias mundiais – em Washington, possam ser discutidos temas como a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Rodada Doha. Ele afirmou ter consciência de que a reunião não vai definir “tudo o que precisamos que defina” mas que caracteriza “um início extraordinário” para que chefes de Estado assumam a responsabilidade de trazer para si a discussão de soluções futuras capazes de evitar outras crises.

Ao comentar a viagem à Itália, Lula afirmou que terá “uma forte agenda empresarial” que inclui encontros com uma delegação de empresários brasileiros e uma de empresários italianos. A idéia, segundo ele, é discutir possibilidades de investimentos no Brasil. Lula irá reunir-se também com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e pelo presidente do país europeu, Giorgio Napolitano, além de um encontro com políticos da oposição com o Papa Bento XVI para assinar um acordo entre Brasil e Vaticano.

– Vou fazer uma convocação para que os países ricos coloquem mais dinheiro para ajudar os países pobres como, por exemplo, o Haiti e os países africanos. Precisamos ter a consciência de que ou os países mais ricos ajudam os países mais pobres a se desenvolver ou vamos enfrentar um problema muito sério de migração – alertou.

Crise financeira

Lula também voltou a afirmar que a saída para a crise financeira internacional precisa ser global. Ele fez a afirmação depois de reunir-se com ministros da área econômica e com presidentes de bancos centrais de 18 países e da União Européia durante encontro do G20 – grupo composto pelas maiores economias mundiais – realizado em São Paulo neste fim de semana.

– Temos uma crise mundial que nasceu no coração do país que representa o maior PIB [Produto Interno Bruto] do mundo, que representa a síntese do capitalismo mundial. Foi exatamente nesse país que surgiu uma crise do sistema financeiro que pode atrapalhar o desenvolvimento e o crescimento econômico dos países emergentes. Temos que discutir porque a saída também tem que ser global – disse em seu programa de rádio.

No fim de semana, Lula também participou de reunião do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), em Foz do Iguaçu, com governadores dos estados que fazem fronteira com o Brasil. Segundo o presidente, países como Paraguai, Uruguai, Argentina e o próprio Brasil, depois de muitos anos, passaram a conhecer “um outro momento” de crescimento econômico e de geração de empregos.

– Temos que tomar uma decisão. Para enfrentar essa crise, não precisamos ficar temendo a crise. Sabemos que ela existe, sabemos que é grande, que pode ser grave, mas que estamos em condições melhores para enfrentá-la do que os países ricos, porque ainda temos um potencial extraordinário de crescimento do mercado interno. Temos a possibilidade de fortalecer ainda mais o Mercosul – afirmou.

Para Lula, os países sul-americanos vivem um momento importante e as decisões devem ser tomadas “com muita cautela”.

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