Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Lula promete "surpreender" na economia

Esbanjando otimismo e bom humor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu em discurso nesta quarta-feira, em São Paulo, que houve retração na atividade econômica no primeiro trimestre, mas prometeu "surpreender" o país. Nas promessas de surpresas, o presidente parece não considerar a previsão oficial de crescimento para este ano, que é de 4 por cento, mas agentes econômicos já estimam índice menor. O presidente reafirmou em seu discurso que a política fiscal rígida será mantida e lembrou que o governo fez ajustes com "muito sacrifício" para controlar a inflação. (Leia Mais)

Quarta, 01 de Junho de 2005 às 16:15, por: CdB

Esbanjando otimismo e bom humor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu em discurso nesta quarta-feira que houve retração na atividade econômica no primeiro trimestre, mas prometeu "surpreender" o país. Ele descartou, no entanto, adotar medidas "eleitoreiras" para reverter a situação.

- Como eu não sou economista, não sou especialista, vou dizer que este ano a gente vai surpreender outra vez, se o ano passado foi uma bela surpresa, este ano vai ser outra bela surpresa -, afirmou, quase numa repetição da promessa feita em julho de 2003 de que haveria um "espetáculo do crescimento". No fechamento dos números, a economia naquele ano ficou apenas estável.

"É verdade que houve uma retração agora? É verdade, mas estamos crescendo há oito trimestres consecutivos, coisa que fazia 10 anos que não acontecia no Brasil."

O presidente Lula fez as declarações em discurso em São Paulo na abertura do Salão do Turismo, na presença do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia (que é do PTB), quatro governadores e de uma platéia do setor.

Ao prometer que não vai se aproveitar do ano eleitoral, afirmou: "Não esperem de mim nenhuma medida populista porque vai ter eleição daqui 1 ano e meio. Não estou querendo construir uma base sólida de crescimento deste país só para este ano."

"O país precisa de juízo e um ciclo de crescimento sustentável por 10 ou 15 anos se a gente quiser um dia um país definitivamente desenvolvido e não eternamente em desenvolvimento", enfatizou o presidente

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na terça-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano teve crescimento de apenas 0,3 por cento na comparação com os três meses anteriores, e revisou o dado de 2004 de 5,2 por cento, para 4,9 por cento, confirmando a tendência de desaceleração da economia.

Nas promessas de surpresas, o presidente parece não considerar a previsão oficial de crescimento para este ano, que é de 4 por cento, mas agentes econômicos já estimam índice menor.

O presidente reafirmou que a política fiscal rígida será mantida e lembrou que o governo fez ajustes com "muito sacrifício" para controlar a inflação.

AZEDO

Na tentativa de se distanciar do pessimismo, Lula criticou em vários trechos de seu discurso o que chamou de "azedos".

"Tem gente que acorda tão azedo de manhã que dá para fazer limonada do seu suor, tem gente muito negativa, que não acredita nas coisas", disse.

"Se um dia você levantar azedo não saia de casa", recomendou.

Com o tema da diversidade cultural, o presidente assistiu, durante 40 minutos, à apresentação de dez grupos musicais típicos do Brasil e de alguns países do exterior.

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