Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Lula promete ressuscitar projeto de ponte com Guiana

Terça, 15 de Fevereiro de 2005 às 17:29, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma promessa pessoal à Guiana nesta terça-feira para retomar o projeto interrompido de construção de uma ponte entre os dois países vizinhos, o que impulsionaria o comércio bilateral.

Lula disse na Guiana, depois de conversas com seu colega Bharrat Jagdeo, que "irregularidades" no projeto envolvendo a construtora Queiroz Galvão tinham parado a obra sobre o rio Takutu, que faz a divisa entre os países.

"A construção da ponte internacional sobre o rio Takutu permanece uma prioridade do governo brasileiro... Estou pessoalmente empenhado em superar os problemas que têm impedido o prosseguimento dos trabalhos de construção desta obra", disse o presidente brasileiro.

Lula, que esteve na Venezuela na segunda-feira, está visitando Guiana e Suriname como parte de uma viagem para reforçar os laços políticos e comerciais do Brasil com os demais sul-americanos.

A construção da ponte do Takutu pela Queiroz Galvão está parada desde 2001, antes do governo Lula, por conta de irregularidades investigadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Lula disse que seu governo dialoga com o TCU para resolver o impasse e reiniciar o projeto. Se as conversas derem certo, o contrato do projeto teria de ser renegociado, segundo o presidente.

Mas se a companhia brasileira não continuar a obra, Lula pedirá a engenheiros do Exército para que completem a ponte.

"Definitivamente, não haverá integração política e comercial se não houver integração física. O Brasil e a Guiana têm interesse, o Brasil e a Guiana precisam", declarou.

"Eu espero que no menor espaço de tempo possível eu possa voltar ao seu país para que juntos inauguremos essa ponte", afirmou Lula diante de Jagdeo.

O presidente da Guiana, que assinou acordos de saúde e educação com Lula, aprovou a notícia de que o Brasil planeja retomar o projeto da ponte.

Ele disse que seu governo também trabalhará para completar um novo posto de alfândega em Lethem para tentar revitalizar o comércio entre os países.

O comércio bilateral anual entre Brasil e Guiana soma apenas 15 milhões de dólares, quase todo em exportações brasileiras, de acordo com dirigentes brasileiros.

Lula disse que o Brasil estava pronto para enviar mais auxílio à empobrecida Guiana, que foi afetada no início deste ano pelas maiores chuvas e enchentes de sua história. Pelo menos 30 pessoas morreram, várias delas afogadas, mas a maioria devido a doenças como leptospirose, causada pelas inundações.

O Brasil, que foi um dos primeiros a enviar alimento à Guiana, também enviará médicos para ajudar a enfrentar a epidemia, disse Lula.

"O governo do Brasil permanece à disposição da Guiana para seguir cooperando com vistas a superar as consequências desse desastre", afirmou Lula.

Mais cedo, ele foi formalmente presenteado com as chaves da cidade de Georgetown pelo prefeito Hamilton Green.

A Guiana, país de língua inglesa localizado entre a Venezuela e o Suriname, é uma ex-colônia britânica.

Lula afirmou que a visão do Brasil de uma maior unidade entre os países da América do Sul não fazia distinção entre ricos e pobres.

"A integração política, cultural, física do nosso continente não é apenas uma grande necessidade, mas a única possibilidade no século 21 de deixar de ser um continente de pessoas pobres, eternamente subdesenvolvido e em desenvolvimento, para nos tornarmos um continente rico", declarou.

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