Consumada a substituição do deputado José Dirceu (PT-SP) pela ministra Dilma Rousseff na chefia da Casa Civil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai procurar o PMDB para ampliar a reforma ministerial.
O entendimento pode envolver a substituição de até cinco ministros e está sendo preparado, informalmente, há duas semanas, disseram dirigentes do PMDB e auxiliares do presidente. O partido também quer um melhor tratamento aos seus governadores.
O discurso de Lula a sindicalistas e trabalhadores rurais na manhã desta terça-feira, foi interpretado como um forte sinal de que ele não deve extinguir as secretarias especiais que criou com status ministerial (Direitos Humanos, Igualdade Racial, Políticas para Mulheres e Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social-CDES).
A Contag e outros movimentos sociais de todo o país defendem a manutenção das secretarias temáticas com status ministerial.
Antes de conversar com o PMDB, Lula só pode decidir o futuro da Secretaria de Coordenação Política, que pretendia simplesmente extinguir. O perfil administrativo da nova ministra-chefe da Casa Civil pode levá-lo a rever a decisão, dizem auxiliares.
Políticos do PT que compareceram à posse de Dilma, nessa terça-feira, esperam que o presidente atenda, nas próximas horas, às pressões para substituir o ministro Aldo Rebelo (PCdoB) pelo colega petista Jaques Wagner, do CDES.
Aldo, por sua vez, conta com apoio estratégico no PMDB para permanecer no cargo, pelo menos enquanto auxilia nas negociações entre o partido e o presidente.
Lula só vai procurar o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), com a segurança de que foram vencidas as resistências internas para a negociação de um apoio institucional do partido, o que pode ocorrer ainda esta semana, segundo essas fontes.
Os representantes das principais correntes do PMDB têm trocado informações desde o agravamento da crise política, com a entrevista do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), acusando o PT de comprar deputados do PP e do PL.
"Essa crise produziu um movimento de unificação do PMDB", disse a jornalistas o presidente Michel Temer.
"O PMDB está unido e consciente de que é a garantia da governabilidade", acrescentou o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL).
Dentre os principais caciques, apenas o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) está fora do país. Dirigentes do PMDB e assessores de Lula calculam que ele seria contemplado com a indicação do presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, para o Ministério de Minas e Energia.
Os atuais ministros do PMDB, Romero Jucá (Previdência) e Eunício Oliveira (Comunicações) devem retornar ao Congresso. Jucá deve ser substituído por ministro de outro partido. O PMDB, segundo dirigentes, espera manter as Comunicações e receber, além de Minas e Energia, dois outros ministérios numa lista que abrange Saúde, Cidades e Integração Nacional