Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Lula, por que o ódio da imprensa?

Por Gilson Caroni Filho - No momento em que o Brasil entra pela primeira vez para o grupo de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano, a imprensa destaca a sabotagem parlamentar da oposição oligárquica como uma expressão de resistência cívica. (Leia Mais)

Quinta, 29 de Novembro de 2007 às 20:52, por: CdB

No momento em que o Brasil entra pela primeira vez para o grupo de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a imprensa destaca a sabotagem parlamentar da oposição oligárquica como expressão de resistência cívica. Exalta todos os mecanismos de obstrução, após ter enquadrado o PSDB nos marcos do lacerdismo. É o conhecido agendamento que não tem qualquer compromisso com um projeto efetivo de nação. São tempos difíceis. Ativismo judiciário e partidarização da mídia como instrumentos de golpe permanente compuseram a novidade política de 2007. Talvez o que mova a roda do retrocesso seja nostalgia de tempos recentes.

Ao tomar posse como governador da Bahia, em 1947, Octávio Mangabeira, o velho cacique udenista, definiu a democracia brasileira "como uma plantinha tenra que precisa ser regada todo dia". A divulgação, em 2004, da pesquisa realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) não deixava dúvidas: quase seis décadas depois do discurso do parlamentar baiano, poucos eram os vocacionados para botânica ou jardinagem em nosso país.

Dos 18 países latino-americanos pesquisados, o Brasil ficou em 15º lugar quanto à adesão popular à democracia. O estudo registrava ainda que o Brasil era o país com maior grau de democracia eleitoral. Estaríamos diante de um paradoxo? Uma contradição capaz de colocar sob suspeição o rigor metodológico empregado? Não. Para o bem e para o mal, estávamos na presença de um alerta. E a imprensa deveria acionar suas sirenes. Mas o "apreço democrático" é um disfarce recente.

Depois de 20 anos de regime militar, vivíamos um arremedo de democracia que não ousou ir além da restituição dos mecanismos representativos do sistema político e do ordenamento jurídico. Uma institucionalidade que nunca se propôs a arranhar, ainda que levemente, os interesses das elites dominantes. Sejam os das que se encastelam no universo político conservador, sejam os das abrigadas na ampla rede que vai do latifúndio aos grupos empresariais mais expressivos.

Produtos de transição por alto, em mais uma ação intramuros da nossa permanente saga pré-republicana, os governos civis que sucederam os generais de plantão não elaboraram qualquer agenda de inclusão efetiva. Sob o tacão do receituário neoliberal, a "estabilidade democrática" foi a consagração da não-política, do não-acontecimento, do não-devir.

Ao terror de Estado sobreveio a ditadura do mercado. As abstrações econômicas, expressas em riscos e cotações de títulos públicos, se superpuseram às relações sociais concretas. O estadista sensato foi redefinido como sendo aquele que tranqüiliza o capital volátil e facilita o cálculo contábil.

O pensamento único invocou sua atemporalidade, transmutou-se em ciência natural e transformou a política em apêndice ou – quem sabe? – ornamento. A mídia, em meio à tempestade, se arvorou em instância de representação da esfera pública esvaziada, através da terceirização de suas colunas de política e economia a consultorias financeiras e cientistas políticos regiamente remunerados. FHC, personificado como tipo ideal de estadista, foi uma ficcão urdida nas tramas urdidas em conhecidas redações. Se já não era possível sustentar a excelência acadêmica, salvava-se a figura do gerente sensato.

O resultado foi devastador: 52 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza, taxas recordes de desemprego e 30 mil vítimas de assassinato por ano. O número de menores entre 10 e 17 anos que trabalhavam na rua atingia, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), um contingente de 263 mil crianças, em 2002. E dos adultos ainda empregados, apenas 45,2% contribuem para a Previdência. Aumentava a concentração de renda e acentuavam-se as desigualdades regionais. Sobreviver tendo entre 15 e 24 anos tinha virado proeza de quem sabe se esgueirar bem em vielas e condomínios.

Diante desse quadro, presenciamos, como sempre, por parte da grande imp

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