Pressionado a fazer uma reforma política radical e reduzir o número de ministérios para que a máquina administrativa se torne mais ágil, e enfrentar a crise provocada pelas denúncias de corrupção, Lula irá negociar os novos rumos do governo com lideranças aliadas e oposicionistas. Um dos alvos do presidente é o ministro José Dirceu, da Casa Civil, ameaçado de perder o cargo para facilitar a recomposição da base aliada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta segunda-feira com a coordenação política, no Palácio do Planalto, e em seguida irá se reunir com Dirceu.
O presidente prepara as mudanças em segredo para evitar as dificuldades que teve no início do ano, quando tentou e não conseguiu realizar a reforma ministerial anunciada no final do ano passado. O presidente do Senado, Renan Calheiros, se reúne nesta segunda-feira, no Planalto, com Lula, para discutir a reforma política e os rumos da CPI que investigará denúncias de irregularidades na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
A permanência do ministro José Dirceu, na equipe de auxiliares, tornou-se um incômodo para Lula. A permanência de Dirceu no primeiro escalão contraria o espírito de mudança de imagem da administração petista defendida por alguns dos mais próximos interlocutores de Lula.
- Penso que o senhor não deve ter medo de ser duro nessa hora - recomendou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, numa das conversas com o presidente na semana passada.
José Dirceu nega a possibilidade de sair da equipe de Lula. "De jeito nenhum", respondeu o ministro-chefe da Casa Civil ao ser perguntado se deixaria o governo para reassumir a vaga de deputado federal. No entanto, ele não deu certeza se vai permanecer na Casa Civil:
- Eu posso ficar em qualquer lugar no governo. Não preciso ficar na Casa Civil. O que eu faço lá qualquer um faz.
Na conversa com Lula, Dirceu disse que acabou seu ciclo no governo e reconheceu que o governo precisa se fortalecer politicamente neste momento de crise. Também avaliou que o PT precisa passar por uma reorganização, pois é bombardeado pela oposição.
A defesa mais enfática pela permanência de Dirceu partiu do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. Ele argumentou que a saída de Dirceu, neste momento, enfraqueceria o Planalto e serviria apenas para fazer o jogo da oposição.
Mas, segundo integrantes do governo, Lula ainda estava em dúvida sobre a necessidade de uma mudança só do ministro Dirceu ou de uma reforma ministerial mais ampla. Na conversa, Aldo foi enfático:
- Não tem sentido tirar o Dirceu. Isso é fazer o jogo da oposição. Ele volta para Câmara com que objetivo? Para ficar batendo boca com (o líder do PFL) Rodrigo Maia (RJ)? - perguntou Aldo na conversa.
Neste domingo, o presidente passou o dia na residência da Granja do Torto, onde recebeu auxiliares para avaliar o noticiário do fim de semana e discutir a troca de integrantes da equipe. Um dos pontos tratados pelo governo foi a redução do número de ministérios, ampliados na formação do governo Lula.