A eventual participação de Luiz Inácio Lula da Silva na Internacional Socialista (IS) pode "dar uma nova dinâmica" a esta organização, opinou nesta quinta-feira, o ex-presidente de Portugal, Mário Soares. Em declarações pelos 30 anos de fundação do Partido Socialista (PS) português, a serem comemorados no próximo dia 19 de abril, Soares assinalou que tem "grande confiança em que Lula possa levar adiante seu programa e não seja asfixiado por circunstâncias internacionais, como aconteceu com Salvador Allende". Para o ex-presidente português, se o Partido dos Trabalhadores do Brasil entrar na IS pode dar "um novo alento para que os partidos socialistas possam resistir o sentido imperial de dominação dos Estados Unidos, tão afastado dos interesses europeus". Soares opinou que o movimento socialista se ampliou muito, o que seria necessário para "combater o neoliberalismo" e rejeitou qualquer tipo de vínculo da IS com o Partido Democrata, dos Estados Unidos. No caso do Iraque, o ex-presidente presidente assinalou que "a democracia não pode ser construída com canhões, não pode ser importada do exterior, tem que surgir como em Portugal, Grécia ou Espanha de um movimento interno". Soares lembrou que o PS luso foi fundado por 27 pessoas, que se reuniram durante quatro dias em "uma pequena localidade perto de Bonn, graças a ajuda do Partido Social Democrata Alemão e a Fundação Friedrich Ebert". Mas esclareceu que desde 1964 havia no interior do país uma organização denominada Ação Socialista Portuguesa (ASP), com presença forte em as cidades de Lisboa, Porto e Coimbra. Soares assinalou que seu exílio no início da década de 70 permitiu que se multiplicassem os contatos com outros dirigentes socialistas, que estavam na Argélia, França, Itália e Brasil. "Quando participei em Viena de uma reunião da Internacional Socialista (1972), me dei conta que devíamos organizar nossa própria formação partidária", disse Soares. O ex-presidente acrescentou que a princípio "foi difícil" convencer os militantes do interior do país a transformar o grupo, porque a ditadura mantinha a proibição de qualquer partido político e a ASP era "um movimento mais ou menos informal". Soares confessou que quando fundaram o PS eram conscientes que a ditadura se encontrava em uma fase terminal, mas "não podíamos calcular que iria desmoronar tão rapidamente", com a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974. "Regressei a Portugal em 28 de abril de 1974 e já em 16 de maio, como representante do PS, fui convidado a formar o Governo como novo ministro de Assuntos Exteriores", acrescentou. Ao ser fundado o Partido Socialista, na Alemanha, Tito de Morais (já falecido) foi eleito presidente e Mário Soares, secretário-geral.
Lula pode dar nova dinâmica à IS, diz Mário Soares
Quinta, 17 de Abril de 2003 às 13:31, por: CdB