Rio de Janeiro, 21 de Março de 2026

Lula planeja ter Delfim Netto no governo

O presidente Lula quer para o segundo mandato uma política econômica "desenvolvimentista", capaz de promover mais crescimento, mas sem mexer nos pilares dela e sem anunciar à sociedade que a guinada está ocorrendo, para evitar embates com o "mercado". (Leia Mais)

Quarta, 01 de Novembro de 2006 às 10:03, por: CdB

O presidente Lula quer para o segundo mandato uma política econômica "desenvolvimentista", capaz de promover mais crescimento, mas sem mexer nos pilares dela e sem anunciar à sociedade que a guinada está ocorrendo, para evitar embates com o "mercado". Segundo um interlocutor do presidente que conversou com ele algumas vezes nas últimas semanas, os planos de Lula podem ser resumidos em duas frases: "avanço sem romper com a ortodoxia" e "o desenvolvimentismo é para ser feito, não falado".

O "avanço ortodoxo" significa que o governo vai continuar com a política de pagamento de juros a credores da dívida pública (superávit primário), metas de inflação e livre valor do dólar, mas procurar cada vez mais margens de ação, dentro destas regras, que permitam acelerar o crescimento. A principal margem está na política de juros do Banco Central (BC), que de algum modo terá de ser aliviada.

Para tocar o projeto "desenvolvimentista", o presidente planeja o seguinte para o próximo governo: manter os ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento); trocar a diretoria do Banco Central (BC), o que pode levar também à substituição do presidente, Henrique Meirelles; fazer do deputado Delfim Netto (PMDB-SP), que não conseguiu se reeleger no último dia 1º de outubro, uma espécie de conselheiro econômico informal do Planalto; e incorporar o empresário Jorge Gerdau ao governo.

A arquitetura desenhada por Lula para a área econômica sugere uma inclinação maior do governo na direção do setor produtivo, sobretudo a indústria, tida como carro-chefe do crescimento e do desenvolvimento. Isso fica particularmente simbolizado pela intenção de cercar-se de Delfim e Gerdau e de fazer modificações no BC.

O quase ex-deputado é visto como porta-voz do setor produtivo, em oposição aos interesses do sistema financeiro, em função das críticas contundentes à política de juros do BC. Já Gerdau é um dos maiores industriais brasileiros e poderia ajudar o governo a se aproximar de mais empresários, fortalecendo o apoio político ao presidente neste setor da sociedade.

Banco Central

O mais emblemático dos planos "desenvolvimentistas" do presidente, segundo o interlocutor dele que falou sob a condição de não ter o nome revelado, é a mudança no BC. Lula está decidido a trocar os diretores, porque acredita que o reforço no crescimento econômico, para taxas como 5% ou 6% ao ano, exige uma aceleração na queda da taxa de juros que eles não estariam dispostos a fazer.

- O presidente acha que a atual diretoria é muito burocrática e não tem a compreensão política dos problemas do país - disse o interlocutor. De acordo com ele, Lula considerou insuficiente, por exemplo, o ritmo de corte do juro que o BC promove desde setembro de 2005. Acha que a taxa poderia ter caído mais e estar bem menor.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, precisará entender a intenção de Lula de contar com uma diretoria do BC mais flexível. Meirelles pode continuar no cargo desde que aceite um novo perfil dos subordinados. Se topar, o presidente admite mantê-lo à frente do banco. Do contrário, correrá sérios riscos de perder o posto.

Fazenda

Em princípio, o presidente planeja manter Guido Mantega no cargo, mas quer que ele mude de atitude e seja mais cauteloso em declarações públicas. Para o presidente - que vem reforçando a idéia de que quem decide a condução a economia é ele próprio -, Mantega não deve dizer nada que possa ser interpretado pelo "mercado" como reviravolta na política econômica. As mudanças devem ser feitas sem proclamação, para fugir evitar confrontos.

- O segredo é mudar sem dizer que está mudando - afirmou o interlocutor.

A nota pública divulgada pelo Planalto nesta segunda-feira em que o presidente fala sobre a situação do ministro da Fazenda teve exatamente o objetivo de deixar claro para os subordinados que a

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