O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em mensagem enviada ao Congresso Nacional na abertura dos trabalhos deste ano, defendeu maior parceria com o Poder Legislativo e fez um balanço sobre seus dois anos de governo.
Lula destacou aprovações importantes neste período, como o projeto que criou a Parceria Público-Privada (PPP) e a aprovação Reforma do Judiciário.
Pela mensagem, lida pelo 1o secretário da mesa diretora da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PMDB-PE), o presidente disse esperar que o Congresso continue apoiando os projetos do governo, em destaque os sociais.
- Temos a certeza de que podemos avançar ainda mais no desenvolvimento econômico e sustantável e no fortalecimento das políticas sociais do governo. Para isso, estamos convencidos que continuaremos a contar, como nestes dois anos, com o apoio e a independência autônoma do Congresso Nacional - afirmou Lula na mensagem, que foi entregue pessoalmente pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Os novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado --Severino Cavalcanti (PP-PE) e Renan Calheiros (PMDB-AL)-- também discursaram durante a cerimônia e, em alguns pontos, fizeram coro.
Ambos criticaram o excesso de medidas provisórias editadas pelo Executivo e defenderam a necessidade da reforma Político-Partidária.
- Esta é uma casa de profunda tradição democrática, que luta pela retomada de suas prerrogativas, abaladas pela desenvoltura com que o Poder Executivo edita medidas provisórias que, do ponto de vista operacional, provocam o trancamento da pauta, imobilizando o Congresso Nacional - afirmou Cavalcanti, em um discurso com traços populistas, arrancando aplausos de seus colegas presentes à cerimônia conjunta entre Câmara e Senado.
Calheiros pediu "tolerância" aos congressistas daqui para frente, defendendo que esta não é hora de "impaciência". O clima, sobretudo na Câmara, não é dos melhores depois que o PT, maior bancada da Casa, não conseguiu eleger seu candidato à presidência, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (SP).
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, também participou da cerimônia.
As prioridades do governo para o Congresso neste ano ainda estão sendo definidas, mas incluem as reformas sindical e política, a conclusão das reformas tributária e do Judiciário, a lei de biossegurança e o projeto das agências reguladoras.