Rio de Janeiro, 19 de Fevereiro de 2026

Lula: O mundo corre o risco de 'uma catástrofe humana sem precedentes'

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva discursou na abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) e defendeu, na manhã desta terça-feira, ações urgentes para o combate às mudanças climáticas; além de propor a realização, em 2012, de uma nova conferência das Nações Unidas com foco em meio ambiente e desenvolvimento, a Rio + 20. Uso dos biocombustíveis não é ameaça à segurança alimentar, diz o presidente

Terça, 25 de Setembro de 2007 às 09:22, por: CdB

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva discursou na abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) e defendeu, na manhã desta terça-feira, ações urgentes para o combate às mudanças climáticas; além de propor a realização, em 2012, de uma nova conferência das Nações Unidas com foco em meio ambiente e desenvolvimento, a Rio + 20.

- Precisamos avaliar o caminho percorrido e estabelecer novas linhas de atuação. Se o modelo de desenvolvimento global não for repensado, crescem os riscos de uma catástrofe mundial e humana sem precedentes - alertou.

O presidente ressaltou, no entanto, que os países industrializados precisam dar o exemplo imediatamente.

- É imprescindível que cumpram os compromissos estabelecidos pelo Protocolo de Quioto. Necessitamos de metas mais ambiciosas a partir de 2012. E devemos agir com rigor para que se universalize a adesão ao protocolo - acentuou. O protocolo, em vigor desde 2005, foi assinado por 175 países. Os países industrializados que o assinam se comprometem com metas de redução de emissões de gases, mas alguns dos principais poluidores, como os Estados Unidos, não estão entre os signatários.

Biocombustíveis

Lula também defendeu o consumo dos bicombustíveis, a exemplo do álcool e do biodiesel, para ajudar na redução das mudanças climáticas.

- Não haverá solução para os terríveis efeitos das mudanças climáticas se a humanidade não for capaz também de mudar seus padrões de produção e consumo. O mundo precisa, urgentemente, de uma nova matriz energética. Os biocombustíveis são vitais para construí-la - acrescentou.

Segundo Lula, os biocombustíveis ajudam a reduzir "as emissões de gases de efeito estufa".

- No Brasil, com a utilização crescente e cada vez mais eficaz do etanol, evitou-se, nesses 30 últimos anos, a emissão de 644 milhões de toneladas de CO² na atmosfera - explicou.

Ele acrescentou que, além de ser uma fonte alternativa de energia, os biocombustíveis "podem abrir excelentes oportunidades para mais de uma centena de países pobres e em desenvolvimento na América Latina, na Ásia e África.

- Podem propiciar autonomia energética, sem necessidade de grandes investimentos. Podem gerar emprego e renda e favorecer a agricultura familiar. E podem equilibrar a balança comercial, diminuindo as importações e gerando excedentes exportáveis - previu.

Lula aproveitou para contradizer o que seus colegas Hugo Chávez, da Venezuela, e Fidel Castro, de Cuba, vêem afirmando quanto à produção de biocombustíveis colocar em risco a segurança alimentar.

- A cana de açúcar ocupa apenas 1% de nossas terras agricultáveis, com crescentes índices de produtividade. O problema da fome no planeta não decorre da falta de alimentos, mas da falta de renda que golpeia quase 1 bilhão de homens, mulheres e crianças. É plenamente possível combinar biocombustíveis, preservação ambiental e produção de alimentos - ponderou.

PIB em alta

Em seu discurso na ONU, Lula afirmou que seu governo conseguiu combinar crescimento econômico com redução da desigualdade social.

- A sustentabilidade do desenvolvimento não é apenas uma questão ambiental, é também um desafio social. Estamos construindo um Brasil cada vez menos desigual e mais dinâmico. Nosso país voltou a crescer, gerando empregos e distribuindo renda. As oportunidades agora são para todos - afirmou.

O presidente defendeu ainda o programa Fome Zero --prioridade de seu governo. "Honramos o compromisso do Programa Fome Zero ao erradicar esse tormento da vida de mais de 45 milhões de pessoas. Com dez anos de antecedência, superamos a primeira das Metas do Milênio, reduzindo em mais da metade a pobreza extrema no nosso país. O combate à fome e à pobreza deve ser preocupação de todos os povos. É inviável uma sociedade global marcada pela crescente disparidade de renda. Não haverá paz duradoura sem a progressiva redução

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