Em sua primeira entrevista coletiva deste segundo mandato, na manhã desta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou, terminantemente, a idéia de concorrer a um terceiro governo. Ele garantiu não ser candidato em 2010. Ao longo de uma hora e 40 minutos, Lula se mostrou tranqüilo com a presença dos repórteres e bastante bem-humorado. O presidente revelou que se sente "mais leve" por não precisar mais pensar em reeleição e desautorizou a base aliada a propor mudanças na Constituição que lhe permitissem novas reeleições.
- Eu não brinco com democracia. Sou contra e não serei candidato em 2010. Não é por nada, mas porque a lei não permite - disse Lula.
Lula também é favorável ao fim da reeleição. Ele propôs a criação do mandato único de cinco anos:
- Se a pessoa fez um bom mandato, ela volta cinco anos depois e se candidata.
Ao abrir o encontro com os jornalistas, Lula abordou a questão econômica e disse que o país conseguiu combinar o crescimento do mercado interno e externo, com inflação sob controle. De agora em diante, disse, o governo poderá fazer uma política social "sem milagres".
- Vivemos o melhor momento da História da República - disse o presidente, afirmando que muitos ainda teimam em não reconhecer que o Brasil "nunca teve uma relação internacional tão privilegiada como tem hoje - afirmou.
Segundo o presidente, a coalizão de governo para o segundo mandato objetiva "pensar no país com mais carinho para fazer as coisas acontecerem". O objetivo da coalizão política, disse Lula, é fazer um governo pensando no longo prazo.
A questão do aborto
Ao responder à pergunta de um dos jornalistas credenciados, sobre a questão do aborto, Lula dividiu sua opinião entre o seu ponto-de-vista pessoal e o de um chefe de Estado.
- Sou contra o aborto, mas sou favorável ao debate - afirmou.
Sobre a legalização deste procedimento, Lula disse que, como cidadão, é contra a interrupção da gravidez, mas afirmou que, como chefe de Estado, tem que pensar no assunto como questão de saúde pública.
- Como cidadão, sou contra o aborto, mas como chefe de Estado acho que ele deve ser tratado como questão de saúde pública. Sou contra o aborto, mas sou favorável ao debate. As pessoas têm que debater o assunto. Se tivéssemos um programa de educação sexual nas escolas certamente teríamos menos abortos. Nas escolas não se ensina, nas igrejas não se ensina, então as pessoas ficam vulneráveis e engravidam sem querer - afirmou.
Ao ser perguntado se era favorável às mudanças na legislação em vigor sobre aborto, Lula disse que a lei atual não trata de todos os problemas ligados ao tema.
- Eu acho que essa legislação não trata dos problemas do país. Todo cidadão, católico ou não, sabe que existe no Brasil um número grande de abortos por gravidez indesejável. Quando a pessoa se encontra nessa situação, o Estado não vai fazer nada? Eu defendo que essas pessoas tenham um tratamento adequado - afirmou.
Meio ambiente e energia
Os investimentos no setor energético também pontuaram a entrevista do presidente.
- Não posso é deixar o governo em 2010 e o sucessor pegar um apagão - disse.
Em sua defesa aos investimentos em energia, Lula disse que a construção da hidrelétrica do Rio Madeira está desempedida, e que seu governo fará tudo o que for preciso para que o país não corra risco de um apagão energético. Lula frisou, porém, que todas as ações do governo serão feitas dentro da lei e das instituições, respeitando o meio ambiente.
- Não teremos apagão porque faremos tudo o que for necessário nesse país dentro da ordem e das instituições que criamos. Não queremos fazer uma hidrelétrica depredando o meio ambiente - disse.
Ambiente internacional
Na abertura da entrevista coletiva, Lula destacou os passos do primeiro mandato de seu governo na área econômica e na polít