O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não precisava ameaçar os empresários com a abertura das importações, caso as empresas não segurem os reajustes de preços, avaliou hoje o cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fábio Wanderley Reis.
- Ele (Lula) não precisava fazer isso no atual contexto. Acredito que o presidente possa estar incomodado com a alta de juros e a necessidade de implantar uma política econômica que promova realmente o desenvolvimento. Mas não vejo como isso se encaixa nessa bronca ao empresariado - reiterou.
Na opinião do professor, da maneira como a bronca foi dada passa a impressão de que há uma certa confusão sobre esses temas (inflação, taxa de juros e crescimento). Além da repercussão negativa que o fato provocou no mercado, manifestada através de líderes empresariais e sindicais, Fábio Wanderley também concorda com a análise de que a medida sugerida pelo presidente (a de estimular as importações) não é suficiente para reduzir as taxas de inflação. De acordo com os analistas, a causa principal da pressão inflacionária está nos preços administrados, como as tarifas públicas.
O cientista político da UFMG também destaca que este ano a questão do crescimento versus taxa de juros estará cada vez mais em pauta.
- O governo do presidente Lula deverá continuar agindo com moderação na área econômica. Mas também deverá questionar até que ponto deve se manter fiel a uma linha mais dura (na questão dos juros, por exemplo) para manter a respeitabilidade do mercado, já que o crescimento e o desenvolvimento são questões cada vez mais urgentes.