O Brasil tratou, mas sem profundidade, a questão dos direitos humanos na China, enquanto os chineses pediram ao Brasil que considerem o país como uma economia de mercado em organismos internacionais. Os temas fizeram parte do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao nesta segunda-feira.
"O presidente Lula está consciente que hoje os direitos humanos fazem parte da Constituição chinesa e relembrou a posição do Brasil na comissão de direitos humanos nas Nações Unidas", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, após a reunião dos dois presidentes.
A última emenda à Constituição chinesa traz o princípio de respeitar e proteger os direitos humanos no país.
No encontro, o governo chinês agradeceu o Brasil por ter ajudado a bloquear em abril uma resolução na comissão de direitos humanos nas Nações Unidas (ONU) que condenava a situação dos direitos humanos no país.
"As duas partes manifestaram sua não conformidade com a politização da questão de direitos humanos", afirmou ainda o ministro, que fez aos jornalistas o relato do encontro entre os presidentes ocorrido no Palácio do Povo. O Palácio, localizado na histórica Praça da Paz Celestial, trazia em frente as bandeiras brasileira e chinesa hasteadas lado a lado.
Os dois países têm acordo de cooperação na área de direitos humanos assinado há sete humanos para troca de informação e experiências.
Quanto ao pedido da China para ser considerada uma economia de mercado, Amorim afirmou que o Brasil vai analisar.
"O Brasil vai considerar positivamente essa transição da China para ser uma economia de mercado... A tendência é pelo menos reconhecer isso em alguns setores."
Segundo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), da qual a China é membro desde dezembro de 2001, países com alta intervenção estatal na economia podem ser considerados culpados mais facilmente em processos por práticas comerciais irregulares.
Em relação ao Conselho de Segurança da ONU, os dois países afirmam ter uma visão conjunta de que ele deva ser reformado, mas não houve apoio explícito do governo chinês para que o Brasil garanta uma cadeira permanente. Segundo o comunicado conjunto assinado entre os países, o governo chinês apóia o Brasil para "desempenhar maior papel" nas Nações Unidas.
O governo brasileiro reafirmou sua posição de apoio a "uma só China", posicionamento que orienta a política externa brasileira há 30 anos. "O Brasil apóia os esforços de Pequim para reincorporação pacífica de Taiwan", disse Amorim.
O porta-voz de relações exteriores do governo chinês, Liu Jianchao, afirmou aos jornalistas que a China vê potencialidade na cooperação bilateral com o Brasil e que tem total intenção de fortalecer as relações estabelecidas nos últimos 30 anos.
Lula consolida visitas realizadas anteriormente pelos presidentes João Figueiredo (1979-1985), José Sarney (1985-1990) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Os dois países assinaram neste encontro um memorando de entendimento onde prometem basear suas relações em quatro princípios: fortalecimento da confiança mútua, aumento do intercâmbio econômico-comercial, promoção de cooperação internacional e promoção de intercâmbio entre as respectivas sociedades civis.
A cooperação na OMC e no G-20 são os principais focos da cooperação entre os dois países.