O governo avisou aos dirigentes sindicais que a partir desta sexta-feira começará a cortar o ponto não apenas dos grevistas do Ibama, mas também do Incra. Mesmo assim, eles continuam de braços cruzados, ao lado de funcionários do Ministério da Cultura, Datasus, Comissão Nacional de Energia Nuclear, além de servidores administrativos de 43 universidades federais.
A paralisação foi encerrada na quinta-feira somente no Banco Central, após 43 dias. Pelas contas da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Federal, filiada à CUT, o número de grevistas está agora na casa de 95 mil.
'Se o governo descontar nosso ponto, estará fechando a única porta de negociação e entraremos na Justiça', reagiu Jonas Corrêa, presidente da Associação Nacional dos Servidores do Ibama.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou endurecer o tratamento dispensado aos servidores federais em greve e descontar os dias parados. No início da semana, Lula chamou
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo não negociará enquanto não houver retorno ao trabalho. Bernardo comentou que, em algumas situações, o governo não consegue nem mesmo saber quais são as reais reivindicações dos grevistas. É o caso do Incra, que teria iniciado a paralisação no dia 21 de maio sem ter entregue a pauta ao Ministério do Desenvolvimento Agrário.
'Fizemos uma plenária em dezembro e aprovamos documento que foi entregue ao presidente do Incra mais de uma vez', rebateu o engenheiro agrônomo Ramon Chaves, do comando de greve do Incra. As reivindicações são as mesmas desde 2004: reestruturação do plano de cargos e contratação de mais servidores.
A exemplo de outros sindicalistas, Chaves não se conforma com a iniciativa de Lula de frear as paralisações no serviço público. ' Acho uma atitude muito triste de uma pessoa que se forjou nas greves', lamentou.