O presidente chileno, Ricardo Lagos, fala neste sábado sobre as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) durante a Conferência do Governo Reformista de Londres, inaugurada sexta-feira pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
Lagos, que chegou ontem ao Reino Unido depois de uma viagem oficial à Irlanda, fala em uma mesa-redonda sobre o futuro dos governos progressistas junto do ex-presidente americano Bill Clinton, do primeiro-ministro do Canadá, Jean Chrétien, e do comissário europeu de Comércio, Pascal Lamy.
A conferência do presidente chileno tem como tema "Repensando Bretton Woods após 50 anos", em referência ao tratado criado em 1944 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird).
Essas instituições são objeto de um sério e profundo debate na América Latina, onde se discute se as políticas econômicas que promoveram tiveram êxito, depois que casos como o da Argentina demonstraram o contrário.
Em Londres está também o presidente argentino, Néstor Kirchner - que não tem atividades na agenda deste sábado - e pela tarde chegará o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
Junto a Ricardo Lagos, Lula e Kirchner participarão da Cúpula Reformista que será realizada de domingo à segunda-feira no condado de Surrey, ao sul de Londres, e que reunirá quatorze chefes de Estado e de Governo.
Da mesma forma que a Conferência de Governo Reformista, ambos os encontros serão dedicados a analisar, de um ponto de vista teórico, o futuro dos governos de centro-esquerda e a chamada "Terceira Via", ponta de lança do Novo Trabalhismo de Blair.
Bill Clinton, firme aliado de Blair durante seus anos na Casa Branca, dedicará hoje sua exposição na mesa-redonda a essa matéria, além da necessidade de acabar com a epidemia de Aids no continente africano.
Jean Chrétien estará centrado nos princípios progressistas dos governos e na necessidade de interpretá-los, enquanto Pascal Lamy dedicará sua exposição ao "Comércio, crescimento e justiça".
Na mesa-redonda também intervirão o ministro britânico de Assuntos Exteriores, Jack Straw, para apresentar a posição de seu país, e Peter Mandelson, ex-ministro britânico que dirige o grupo de trabalho Policy Network, organizador da conferência.
A respeito desta conferência - da qual participam representantes de 30 países - Mandelson informou hoje que "é necessário renovar as idéias e a direção para os que participam de governos baseados em valores de esquerda".
- É preciso desafiar os responsáveis da direita, cujo populismo não tem relevância para o futuro, e também a esquerda que quer retrair-se em seu próprio conservadorismo - apontou Mandelson.