O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fornece indicações de que irá fazer outras mudanças na Esplanada dos Ministérios, já que havia feito somente duas modificações pela em março pela Reforma Ministerial, quando Romero Jucá (PMDB) se tornou ministro da Previdência e Paulo Bernardo (PT-PR) do Planejamento.
Motivado pelas denúncias contra Romero Jucá (acusações de desviar funcionários de uma cooperativa contratada pela prefeitura de Boa Vista para trabalhar como cabos eleitorais na sua campanha, em 2002, e empréstimo de R$ 18 milhões com garantia de empresas fantasmas) e a falta de governabilidade no Congresso, Lula já analisa a possibilidade de trocas. A Previdência é um dos ministérios a ser modificados, mas o presidente pode também retirar Aldo Rebelo (PC do B) da Coordenação Política e mexer em outras pastas, inclusive aquelas sob o comando de petistas.
A saída de Rebelo, reivindicada pelo PT desde o ano passado, somente não ocorreu devido a Lula. O partido ainda insiste em colocar o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha no cargo, enquanto o parlamentar já se mostra disposto a encarar a missão. Ele, que relutava em assumir o ministério, face à sua pretensão de disputar o governo de São Paulo em 2006, tem afirmado o desejo de retomar o diálogo com o PMDB depois de fazer duras críticas a Jucá.
Em nome da governabilidade, especialmente no Senado, onde Jucá estava antes de tornar-se ministro, o governo federal não pretende tomar a decisão de retirá-lo do cargo. Porém já haveria pressões junto ao PMDB para fazê-lo. O peemedebista Hélio Costa (MG) seria um possível candidato à pasta.
Frente à mídia, Lula está defendendo repetidamente o ministro. Na segunda-feria, ele garantiu que não irá derrubar Jucá baseado em "manchetes de jornal". Porém o desconforto do presidente com a situação e a falta de explicações convincentes às denúncias está cada vez menos disfarçável.
A mudança ministerial, se confirmada, abre espaço para especulações sobre a participação do PP de Severino Cavalcanti no governo. Justamente devido às ameaças do presidente da Câmara de sair da base aliada caso não recebesse um ministério, Lula desistiu da reforma ampla no mês passado.