Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Lula ignora convenção e negocia com aliados do PMDB

Terça, 14 de Dezembro de 2004 às 18:11, por: CdB

Alheio à decisão da convenção do PMDB de romper com o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o partido como estratégico e disse que manterá negociações com a ala favorável à permanência da legenda na base aliada, informou nesta segunda-feira o líder da bancada peemedebista no Senado, Renan Calheiros.

Segundo o senador, o grupo aliado não acatará a determinação da convenção de entregar os cargos que ocupa no governo: os ministérios da Previdência e das Comunicações.

Lula também recebeu outros integrantes da tropa de choque da ala governista do PMDB nesta segunda-feira. Entre eles, o presidente do Senado, José Sarney (AP), os ministros Eunício Oliveira (Comunicações) e Amir Lando (Previdência), e o líder do partido na Câmara, José Borba (PR).

"O presidente destacou a lealdade deste grupo, e disse que agora esse grupo é o seu interlocutor. O presidente disse que não vai abordar o outro grupo oposicionista", afirmou Renan. Segundo o senador, o presidente Lula "garantiu que a permanência dos ministros será consequência da vontade da bancada".

Dos governistas, Lula ouviu que os ministros não entregarão seus cargos, porque isso "significaria enfraquecimento da ala que vem resistindo às decisões da cúpula partidária", disse Renan.

O presidente, segundo relato do senador, garantiu que o PMDB é "estratégico ao governo" e que quer aprimorar a relação entre o Palácio do Planalto e o partido.

De acordo com Renan, não foi discutida na reunião a possibilidade de o partido vir a ocupar um outro ministério. "Isso não veio à tona, porque o presidente ainda não sabe quando a reforma vai começar", ressaltou o senador alagoano.

Para tentar reverter a decisão da convenção do PMDB, o senador disse que entrará com uma representação ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) na terça-feira.

Após indas e vindas na Justiça, os peemedebistas da oposição conseguiram derrubar, pouco antes do fim da convenção, uma liminar que proibia a realização do encontro.

Os governistas questionam o resultado da convenção, já que diversos diretórios estaduais não enviaram representantes e a maioria dos parlamentares das bancadas na Câmara e no Senado defendem a permanência na base aliada.

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