O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a garantir, nesta segunda-feira que o preço do gás natural não subirá no Brasil por causa da decisão do governo boliviano de nacionalizar as reservas do combustível, anunciada há uma semana.
- O fato de a Bolívia nacionalizar o gás não significa que vai faltar gás no Brasil. Nem vai faltar gás no Brasil e nem vai aumentar o preço do gás. Ele vai aumentar quando tiver que fazer a renovação de contrato. De cinco em cinco anos, a Petrobras tem que discutir e fazer o reparo no preço porque o preço sempre será uma coisa que tem uma combinação - disse Lula em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente.
Segundo o presidente, o governo vai negociar com os bolivianos para que o consumidor brasileiro do gás natural não sofra prejuízo.
- Quando nós formos negociar o preço do gás com a Bolívia, nós também vamos querer o melhor preço para o nosso consumidor e eles vão querer o melhor preço para a Bolívia e você vai encontrar um denominador comum - disse.
Lula lembrou que a Bolívia não é o primeiro país do mundo a nacionalizar seus recursos naturais. De acordo com ele, decisão como essa já foi tomada no Brasil, Chile, Argentina, Chile, Iraque, Irã, Líbia, México.
- Todos os países querem ser donos da riqueza que está no seu subsolo e a Bolívia tem no gás a sua única riqueza; portanto, o povo, de forma plebiscitária, escolheu nacionalizar o gás.
Apoio
Lula acrescentou que o papel do Brasil, maior economia da América do Sul, é ajudar os países vizinhos a crescer.
- O Brasil não quer ser uma ilha de desenvolvimento cercada de países pobres. Nós queremos que todos tenham chance de crescer um pouco - afirmou.
Lula destacou também que a melhor forma de resolver os problemas com a Bolívia, que nacionalizou a produção de gás e petróleo, é na mesa de negociação. Ele criticou os defensores da aplicação de medidas punitivas aos bolivianos por parte do governo brasileiro. "Não vamos fazer provocação, não vamos fazer retaliação a um país que é infinitamente mais pobre do que o Brasil, um povo mais faminto do que o povo brasileiro. Eu sei que tem gente que gostaria que o Brasil fosse violento. A nossa política é de paz, é de acordo e é de sensatez e eu acho que é isso que vai contribuir para o Brasil", ressaltou.