Rio de Janeiro, 03 de Fevereiro de 2026

Lula garante à UE que biocombustível não ameaça produção de alimentos

Quinta, 05 de Julho de 2007 às 09:55, por: CdB

O presidente Luiz Inácio da Silva rechaçou nesta quinta-feira as principais críticas ao aumento da produção de etanol e biocombustíveis no Brasil e em outros países em desenvolvimento. Diante de uma platéia de autoridades, acadêmicos e empresários de todo o mundo, Lula disse que um aumento do consumo global de etanol e outros biocombustíveis não ameaçaria a produção de commodities agrícolas destinadas a alimentos.

Ao discursar durante a Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, na sede da Comissão Européia, ele também rechaçou as análises de que o aumento da produção brasileira de etanol poderá acelerar o desmatamento da floresta Amazônica.

- A experiência brasileira mostra ser incorreta a oposição entre uma agricultura voltada para a produção de alimentos e outra para a produção de energia - disse Lula. - A fome no meu país diminuiu no mesmo período em que aumentou o uso de biocombustíveis.

Ele afirmou que no Estado de São Paulo, que é o maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, houve um incremento na produção agropecuária nas últimas décadas.

O presidente enfatizou que apenas 0,4% do território brasileiro é usado para a plantação de cana-de-açúcar.

- E fica muito distante da Amazônia, região que não se presta para o cultivo da cana. disse. - Se a Amazônia fosse importante para plantar a cana, os portugueses que a introduziram no Brasil a tantos séculos atrás, já teriam feito a levado para lá.

Em tom de brincadeira, e arrancando risos da platéia, Lula "agradeceu a dupla portuguesa" que participou do seminário (o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, e o presidente da Comissão Européia, José Durão Barroso) e "seus antepassados por não terem utilizado a Amazônia para produzir álcool ou açúcar.

Protecionismo

Lula vinculou a carência de alimentos no mundo ao protecionismo comercial nos países ricos.

- Todos sabemos que não há escassez de alimentos no mundo, mas escassez de renda - disse. - A falta de renda está vinculada aos vultosos subsídios agrícolas dos países ricos e são essas e outras coisas que queremos eliminar na rodada de Doha.

Segundo o presidente, o aumento da produção de biocombustíveis ajudará também a aliviar outro desequilíbrio.

- Vinte países produzem energia para cerca de 200 países, mas, com os biocombustíveis, mais de cem países poderão produzir energia - disse.

- Estaremos reduzindo desigualdades entre os países produtores e consumidores de energia e os conflitos derivados pela competição por recursos energéticos - completou.

Lula ressaltou que os governos não podem dar sinais "contraditórios", numa mensagem endereçada aos países ricos.

- Os mesmos governos que defendem publicamente seus compromissos com desenvolvimento sustentável e com a redução do efeito estufa não podem criar empecilhos para que os combustíveis se transformem em commodities internacionais - concluiu.

Tags:
Edições digital e impressa