O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou fazer alterações no primeiro escalão do governo e enfatizou que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Previdência, Romero Jucá, permanecem em seus cargos.
Segundo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que se reuniu por duas horas com Lula, durante o encontro se avaliou que realizar uma reforma ministerial agora poderia passar a impressão de apenas mais um esforço do governo na tentativa de "abafar" a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada para investigar suposto esquema de propina nos Correios.
"O presidente não vai fazer nenhuma alteração no governo e aproveitei para dizer que sou contra qualquer reforma ministerial agora porque ela pode passar a idéia que não é para garantir a iniciativa política, mas para inviabilizar a CPI," afirmou Renan.
Lula teria dito também que não substituirá o líder do governo no Congresso, Fernando Bezerra (PTB-RN).
Tanto Meirelles quanto Jucá são alvos de investigação no Supremo Tribunal Federal. O presidente do BC é acusado de prática de crime contra o sistema financeiro, e o ministro da Previdência foi envolvido em denúncias de fraude financeira em Roraima.
"O presidente reafirmou confiança na inocência e na capacidade de Jucá. E ele disse que até que se prove o contrário todo mundo é inocente", disse Renan.
INCONFORMADOS
O presidente do Senado sugeriu que haveria setores da base aliada descontentes com as últimas alterações feitas no primeiro escalão do Executivo, mas evitou entrar em detalhes. Em março, Lula substituiu Amir Lando por Jucá e nomeou o então deputado Paulo Bernardo (PT-PR) para o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Na verdade, Lula planejava fazer uma ampla mudança de gabinete, abrindo espaço para partidos aliados, como o PP do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PE), e renovar o comando da Coordenação Política, chefiada por Aldo Rebelo (PCdoB), mas pressionado deixou todos os planos de lado.
Manter Meirelles no cargo indica a satisfação do presidente com a condução da política monetária pelo Banco Central. Mas há um entendimento dentro do governo de que a elevação da taxa básica de juros atingiu seu patamar máximo, com os atuais 19,75 por cento ao ano.
Apesar disso e do crescimento pífio do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, Lula esbanjou otimismo em discurso em São Paulo e disse que a economia vai surpreender novamente em 2005.
Na conversa convocada para discutir uma agenda legislativa para o Congresso, Lula teria dito que não vai interferir em todo o processo da CPI dos Correios e afirmou que a comissão é um assunto do Congresso Nacional.