Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Lula foi corajoso ao defender Chávez, avlia Gilberto Maringoni

Quarta, 30 de Março de 2005 às 14:54, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agiu com coragem e ousadia ao defender publicamente o presidente venezuelano, Hugo Chávez, nesta terça-feira, avalia o jornalista e historiador Gilberto Maringoni, autor do livro A Venezuela que se Inventa - Poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez.

- Foi um gesto de coragem do Lula, uma semana depois de o Rumsfeld ter vindo aqui a Brasília fazer aquela declaração escandalosa, aquela demonstração de força - afirma Maringoni, para quem o presidente brasileiro deu uma resposta direta aos americanos.

O especialista refere-se às afirmações do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld. Na semana passada, durante visita ao Brasil, ele se disse "preocupado" com o anúncio venezuelano da compra de 100 mil fuzis de origem russa para equipar suas Forças Armadas e afirmou esperar que a compra não se concretize.

Maringoni diz que ainda espera para as próximas semanas novas declarações do Departamento de Estado norte-americano, mas já avalia como "positivas" para o presidente venezuelano as declarações de Lula. Nesta terça-feira, o brasileiro afirmou, durante reunião com Chávez, e os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e do governo espanhol, José Luiz Zapatero:

- Nós não aceitamos difamações contra companheiros. Nós não aceitamos insinuações contra companheiros. A Venezuela tem o direito de ser um país soberano, de tomar as suas decisões.

- Nós, da América do Sul, somos capazes de cuidar de nossos assuntos - completou Lula.

- Essa reunião de ontem foi ponto importante de uma ofensiva diplomática que Chávez está fazendo desde julho - explica Maringoni.

Para o especialista, o venezuelano tenta fugir à pecha de "antidemocrático" que os Estados Unidos tentam lhe impingir, buscando apoio externo, depois de ter legitimado seu governo com a vitória em um referendo popular, em agosto.

- Essa estratégia americana afetou até as relações com o Brasil. No início do ano passado, Chávez estava isolado - conta ele, que viajou sete vezes à Venezuela para escrever seu livro.

A integração da Venezuela ao Mercosul, no ano passado, lembra Maringoni, está relacionada a essa busca de apoio externo, que ainda inclui um acordo petroleiro com a China e negócios com o Irã e a Rússia.

- Ele está criando um anel alternativo de comércio e integração totalmente fora do circuito americano - diz o historiador.

Apesar disso, Maringoni avalia que Chávez não deve deixar, em curto prazo, de vender petróleo aos Estados Unidos.

- A postura econômica do Chávez é extremamente prudente, não tem a ver com a postura verbal - lembra ele, em referência às várias referências ofensivas que o venezuelano costuma fazer ao governo George W. Bush.

Maringoni também afirma que o episódio da captura do líder guerrilheiro colombiano Rodrigo Granda em Caracas, na virada do ano, deixou claro que o governo da Colômbia funciona como "correia de transmissão" do Departamento de Estados dos EUA. O historiador lembra que o governo Chávez tem denunciado há mais de dois anos que as tropas do Plano Colômbia, apoiado pelos EUA, empurram para a fronteira com a Venezuela os combatentes das FARC com o objetivo de comprometer Chávez e acusá-lo de dar guarida a um grupo considerado terrorista pelos americanos e colombianos.

Essa "tática" americana, diz Maringoni, explica por que Chávez está procurando comprar armamentos para reforçar suas patrulhas na fronteira. Ele lembra, por exemplo, que os aviões Supertucano, negociados pelo governo venezuelano com o Brasil, têm características compatíveis com essa tarefa.

Na reunião presidencial ontem, entre Lula, Chávez, Uribe, e o primeiro-,ministro da Espanha, José Luiz Zapatero, este lembrou que os barcos-patrulha e aviões de transporte que seu país negocia com a Venezuela também têm essa função de defesa, não de ataque. As afirmações de Zapatero fora

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