Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Lula faz acordo para encerrar greve do bispo

Com a promessa de só começar as obras para a transposição das águas do rio São Francisco depois de convencê-lo de seu acerto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou, nesta quarta-feira, um acordo com o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, para que o religioso encerrasse nesta quinta e a greve de fome que iniciou há onze dias, em protesto contra o projeto.

Quinta, 06 de Outubro de 2005 às 07:40, por: CdB

Com a promessa de só começar as obras para a transposição das águas do rio São Francisco depois de convencê-lo de seu acerto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou, na quarta-feira, um acordo com o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, para que o religioso encerrasse na quinta e a greve de fome que iniciou há onze dias, em protesto contra o projeto.

Cappio aceitou um convite para se encontrar com Lula em Brasília em data definida nesta quinta-feira, quando o ministro das Relações Internacionais Jaques Wagner e o representante do papa Bento 16 no Brasil, o núncio apostólico Lorenzo Baldisseri, o encontrarão em Cabrobó, em Pernambuco.

No entanto, o porta-voz de dom Luiz Cappio, Adriano Martins, negou que exista qualquer tipo de acordo com o governo.

- O bispo nem sabe o que o Jaques Wagner vai propor - informou.

Para o porta-voz, a notícia do acordo é contra-informação para tentar esvaziar as ações dos movimentos populares.

- Se houver uma proposta que atenta às reivindicações do bispo, ele encerra a greve de fome. Mas não há nenhum acordo preestabelecido com ele- afirmou Martins.

A viagem de Wagner estava prevista para a tarde de ontem, mas foi adiada por conta dos últimos ajustes da negociação do Planalto com o bispo. O presidente queria que o ministro se encontrasse com dom Cappio sem a chance de obter um revés no acordo.

- Não falei em adiamento nem em suspensão da obra. Falei em prolongamento do debate. Obviamente que, enquanto há debate, a obra não começará", disse Wagner.

O recado do ministro foi transmitido a Cappio pelo representante do papa e outros religiosos envolvidos na negociação para que a greve de fome seja encerrada hoje.

Segundo Wagner, o presidente, com seu espírito democrático e humanitário, não precisa de nenhuma vítima para implementar um projeto que julga um ato de grandeza em relação a tantos nordestinos que não têm água.

Na prática, a atitude do governo é atrasar a obra mais um pouco, como antecipou ontem a Folha, a fim de persuadir o bispo a aceitá-la. Lula espera convencê-lo com o argumento de que trabalhará para aprovar a emenda constitucional que destinará mais verbas para a revitalização do rio.

O encontro desta quinta entre Wagner e o bispo de Barra, na Bahia, em greve de fome desde as 12h de 26 de setembro, será a segunda tentativa direta do Planalto de demovê-lo do protesto.

A primeira, fracassada, ocorreu no final da semana passada, quando Lula enviou uma carta a dom Cappio e sugeriu a abertura de conversas sobre o projeto de transposição.

A iniciativa do Planalto, porém, foi inócua, com o bispo respondendo que manteria a decisão de permanecer em jejum e oração enquanto não chegasse um documento assinado pelo presidente revogando e arquivando o atual projeto de transposição.

Será dito a Cappio que, apesar da iminente concessão da licença ambiental do Ibama para começar a obra, o governo só dará início à execução do projeto após o prolongamento do debate, como disse Wagner.

Como o bispo tem dito que não se opõe à transposição, mas ao projeto específico da gestão Lula, o governo tem a esperança de convencê-lo, sob o argumento de que a obra beneficiará a população mais carente e não a prejudicará, temor alegado por Cappio.

Ontem, o ministro das Relações Institucionais admitiu a possibilidade de mudanças no atual projeto de transposição.

- Não tem aqui cabeça dura que diga 'isso é meu e não mudo em hipótese nenhuma - explicou Wagner durante entrevista na quarta à noite no Planalto, quando anunciou o acordo.

Promessa da campanha eleitoral de 2002 que ainda não saiu do papel e que dificilmente terá avanço significativo até a conclusão do mandato de Lula no final do próximo ano, o cronograma da transposição está bastante atrasado.

O governo estava preocupado com o desgaste internacional de uma eventual morte do bispo. O

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