Em pronunciamento à nação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a crise política será vencida pelo Congresso, pelo governo e pelo povo brasileiro. Em cadeia nacional de rádio e TV, ele destacou que, para vencê-la, será necessária uma "apuração cabal de todas as denúncias" e punição "rigorosa" dos culpados. Lula afirmou que não permitirá "nenhum acordo subalterno" em referência a negociações para não punir os culpados.
- Doa a quem doer, sejam amigos ou adversários - reafirmou.
Além disso, o presidente acrescentou:
- O fundamental é que a verdade prevaleça e que não haja impunidade. Que as CPIs apurem, que a Polícia Federal investigue, que o Ministério Público denuncie e que a Justiça, soberana, julgue.
No pronunciamento, Lula afirmou que da mesma forma que seu governo e o povo brasileiro venceram o desafio da crise econômica, "saberemos superar com coragem e serenidade" o atual momento político.
É a quarta vez que o presidente Lula faz um pronunciamento à nação em cadeia nacional de rádio e TV neste ano. O último ocorreu em 23 de junho, quando falou sobre o combate à corrupção e algumas das ações de seu governo. Lula também falou em abril, por ocasião do Dia do Trabalhador, quando anunciou o salário mínimo de R$ 300,00, e, em janeiro, quando fez um balanço dos dois primeiros anos de seu governo.
Leia a íntegra do pronunciamento:
"Meus amigos e minhas amigas,
Sete de setembro é dia de emoção e reflexão. Neste dia, 183 anos atrás, começamos a nos tornar uma nação independente, marco histórico de uma luta iniciada bem antes e que continua até hoje.
Sim, porque a luta pela independência continuará enquanto houver um só interesse nacional a defender e um único brasileiro a ser libertado da miséria. No dia da Pátria, quero refletir com cada um de vocês sobre a extraordinária capacidade que temos, povo e governo, de enfrentar e superar desafios.
Se há uma característica marcante do povo brasileiro é a de lutar contra a adversidade e vencê-la. O diferencial do meu governo é justamente este, o de não recuar diante dos obstáculos, por maiores que sejam e superá-los. Foi assim desde o início.
Todos sabem que, quando eu assumi a Presidência, o Brasil estava mergulhado em uma profunda crise econômica e social. O quadro era assustador: a economia estagnada, o desemprego crescendo, a inflação disparando e a crise social prestes a explodir.
Muitos não acreditavam que eu fosse conseguir. Hoje, 32 meses depois, cada um de vocês é testemunha: vencemos a crise econômica e recolocamos o país nos trilhos.
Juntos, governo e povo, fizemos o Brasil voltar a crescer de modo sustentado. Os resultados estão aí, à vista de todos.
A economia cresce, a indústria cresce, o comércio cresce, as exportações crescem, o emprego cresce, o salário cresce, cresce a transferência de renda para os pobres, a inflação cai, o custo da cesta básica também cai.
Dessa vez, o crescimento é para todos, com geração de empregos e distribuição de renda. Graças a Deus, e a muito trabalho, nosso governo já criou 3 milhões e 200 mil novos empregos, com carteira assinada. Não é tudo que precisamos. Mas já é bastante e tenho orgulho disso.
O Brasil entrou definitivamente na rota do desenvolvimento. E nada nos desviará desse caminho. A dívida social teria desanimado quem não estivesse, como eu, habituado a enfrentar dificuldades. Mas pusemos mãos à obra, implantamos programas sociais inovadores, passamos a enxergar e a cuidar dos pobres deste país. Ainda temos muito o que fazer, mas os resultados já estão aparecendo.
O Brasil está mudando para melhor. E mudará cada vez mais, porque foi para isso que viemos, para juntar o econômico com o social, para juntar os números da economia com a qualidade de vida das pessoas. E estamos semeando o futuro, investindo fortemente na educação e na infra-estrutura.
Hoje, podemos dizer com humildade, m