Rio de Janeiro, 19 de Outubro de 2026

Lula explora camada pré-sal politicamente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira, da extração da primeira mostra de petróleo da camada pré-sal, no litoral Sul do Espírito Santo. Organizado pela Petrobras, a presença de Lula na plataforma Jubarte, instalada sobre o campo Tupi, transformou o evento em uma ação política do governo. Petróleo está a apenas 100 metros abaixo da camada de sal

Terça, 02 de Setembro de 2008 às 09:15, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira, da extração da primeira mostra de petróleo da camada pré-sal, no litoral Sul do Espírito Santo. Organizado pela Petrobras, a presença de Lula na plataforma Jubarte, instalada sobre o campo Tupi, transformou o evento em uma ação política do governo.

A plataforma produz petróleo desde 2006, mas é a instalação melhor posicionada para a exploração da camada pré-sal. Embora se estenda por 800 quilômetros, entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, a maior parte do pré-sal guarda o petróleo em profundidades que variam entre 6 e 7 mil metros de profundidade. Na área explorada pela Jubarte, no entanto, o óleo pode ser encontrado a apenas 100 metros abaixo da camada de sal.

Essa vantagem comparativa levou a estatal a marcar o início da exploração da maior jazida de petróleo já descoberta no país, ao longo de sua história, com a presença do presidente Lula, o que apontou os holofotes da mídia para a costa capixaba. O primeiro poço explorado tem um potencial de produção para 5 a 8 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural).

Tecnologia de ponta

A Petrobras tem a tecnologia necessária para produzir na camada pré-sal da bacia de Santos, a mais profunda encontrada pela companhia até o momento, e agora tenta reduzir custos para uma produção que só deve ganhar cunho comercial em cinco a seis anos, informou o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, presente ao evento. Durante a cerimônia no Espírito Santo, Estrella se disse confiante no potencial de Santos.

– Não há nenhuma barreira tecnológica para produzir no pré-sal da bacia de Santos, nosso esforço agora é para reduzir o custo. Mas é rentável do ponto de vista econômico e financeiro. Precisamos de um novo ponto de vista de logística para ser mais rentável – disse Estrella a jornalistas durante o evento.

Por estar a 300 quilômetros da costa, o gás natural que será extraído do campo de Tupi, em Santos, a partir de março de 2009 no Teste de Longa Duração (TLD), terá que ter uma solução logística diferente de outros campos, lembrou Estrella. A tendência, segundo informou no mês passado à agência inglesa de notícias Reuters a diretora de Gás e Energia da empresa, Maria das Graças Foster, será transformar o gás em Gás Natural Liquefeito (GNL) para atender aos novos terminais da companhia, e o excedente será exportado.

Segundo Estrella, apesar de bem diferente dos poços já perfurados em Santos, a produção na fase TLD do campo de Jubarte, que começa na terça-feira a produzir cerca de 18 mil barris diários de petróleo de alta qualidade (30 graus API), será fundamental para obter dados para a exploração da reserva gigante de Santos.

– São os primeiros dados que vão caminhar para a avaliação de uma grande extensão (de reservas), é um passo para essa grande era, que meus netos e os netos de vocês vão ver – afirmou Estrella, deixando claro que a produção em grande escala do pré-sal, que já está sendo cobiçada por vários atores da sociedade e do governo, deve demorar.

A empresa ainda não sabe a reserva do pré-sal de Jubarte, que foi descoberta após Tupi e fica a 77 quilômetros da costa, produzindo 35 mil barris de petróleo por dia na camada pós-sal. Descoberta pela Petrobras e parceiros no ano passado, a camada pré-sal se estende do Espírito Santo a Santa Catarina, mas os indícios, segundo Estrella, é da maior riqueza estar mesmo localizada em Santos, onde a empresa já perfurou sete poços com sucesso.

– Os mapas que nós temos indicam que em Santos (o volume) é mais expressivo. Não foram furados poços na bacia de Campos com intenção de pré-sal, nós objetivávamos outros reservatórios, não havia essa tecnologia naquela época. Na bacia de Pelotas a impressão que se tem é que não tem a pujança que tem Santos e Espírito Santo – disse Estrella, informando que na bacia de Campos, hoje responsável por 80% da produção brasileira de petróleo, o sal não está compacto como em Santos e provavelmente o óleo que estava embaixo dessa camada já migrou para mais perto da superfície.

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