O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está confiante que a economia brasileira crescerá até 5% em 2010 e espera que as reservas internacionais cheguem a US$ 300 bilhões em breve, segundo entrevista publicada nesta segunda-feira pelo diário econômico inglês Financial Times.
O jornal, sem publicar a declaração exata do presidente sobre sua expectativa para o crescimento da economia brasileiro em 2010, disse que Lula estava confiante que a economia crescerá 5% no ano que vem.
– Há não muito tempo eu costumava sonhar em acumular US$ 100 bilhões em reservas. Em breve teremos US$ 300 bilhões – disse o presidente, de acordo com o jornal.
O Brasil se recuperou de uma breve recessão em 2009. O país vinha registrando crescimento na casa dos 5% nos últimos anos.
– Fomos um dos últimos países a entrar na crise global e fomos um dos primeiros a sair – disse ele ao FT.
'Maduro'
Pela manhã, em seu programa semanal de rádio, ao comentar a viagem à Inglaterra na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil está mais "maduro" e responsável, capaz de consolidar uma macroeconomia com estabilidade, geração de empregos e distribuição de renda.
– Esse novo Brasil é reconhecido internacionalmente – ressaltou.
No programa Café com o Presidente, ele destacou que o interesse das empresas estrangeiras em investir no país é reflexo de uma economia “saudável, estável, e promissora”.
– O fato de o Brasil ter saído tão bem dessa crise financeira mundial é mais uma demonstração da nossa força. Muitos países ainda sofrem com as consequências da crise. Nós, aqui, já saímos – destacou, ao citar o crescimentio da indústria, do Produto Interno Bruto (PIB) e da massa salarial brasileira.
Acordo
Lula também afirmou, durante o programa, que está otimista em relação à possibilidade de um bom acordo sobre o clima durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague (Dinamarca). Ele destacou, entretanto, que tudo vai depender da presença de líderes mundiais no encontro.
O presidente voltou a acusar os países ricos de terem “maior responsabilidade” em assuntos climáticos, uma vez que vivenciam um processo de industrialização mais longo.
– Esses países emitiram muito mais gás de efeito estufa do que os países que estão se desenvolvendo no século 20 e no século 21. Portanto, é importante que os compromissos sejam de todos, mas que sejam proporcionais à responsabilidade de cada país – disse.
Ainda sobre a visita à Inglaterra, ele ressaltou que o principal asssunto debatido com a rainha Elizabeth e com o primeiro-minisro Gordon Brown foi a conferência de Copenhague. Segundo o presidente, propostas brasileiras para a redução da emissão de gás carbônico e do desmatamento na Amazônia, entre outros, foram citados durante a reunião.
Sobre o prêmio que recebeu durante a visita – concedido pela Chatham House como forma de reconhecimento pela atuação nas relações internacionais e na condução da política econômica e social – Lula insistiu que toda a sociedade brasileira acreditou que era possível controlar a crise. Para ele, o prêmio dá visibilidade ao Brasil perante os demais países que começam a ter mais confiança para investir aqui.
Lula afirmou que deve entrar em contato ainda nesta semana com os presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, e Hu Jintao, da China, na tentativa de debater uma proposta conjunta a ser levada para a conferência.
Ainda nesta segunda-feira, o presidente coordenou reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. A posição brasileira em Copenhage está na pauta de discussões. No último dia 3, o governo adiou para o próximo sábado a definição da proposta , que inclui medidas em setores como agricultura e siderurgia. Até o momento, a única proposta consensual é a de redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020.