O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a expansão da indústria brasileira em 2004 e garantiu que a economia vai crescer ainda mais este ano.
- Daqui para a frente, gente, não tem choro e nem vela. A economia, este ano, vai ser muito melhor, nós vamos crescer mais, não existe lugar para o pessimismo - disse Lula ao participar da inauguração de uma adutora em Surubim (PE).
- Ao invés de ficar choramingando, levante a cabeça e fale: 'o que que eu posso fazer pelo meu país hoje? O que que eu posso fazer pela minha cidade?'. E levantar a cabeça para as coisas darem certo neste país.
Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a produção industrial brasileira cresceu 8,3 % no ano passado, o melhor desempenho desde 1986.
Lula voltou a defender o projeto de transposição das águas do rio São Francisco, dizendo que existem resistências por parte do Poder Judiciário e de alguns governadores.
- Embora as pessoas não saibam, eu sei o que é ir pegar água num açude - afirmou. - Então, quem está no 'bem bom', não sabe o sacrifício.
O presidente acrescentou que não podem existir medidas paliativas para o Nordeste.
- Ou nós assumimos a responsabilidade de transformar o Nordeste brasileiro daqui a 15, 20 ou 30 anos numa região altamente desenvolvida, ou daqui a 30 anos a gente vai estar jogando a culpa na indústria da seca, a gente vai estar jogando a culpa no Estado de São Paulo.
Lula voltou a criticar o fechamento da Sudene no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e a cultura política do país de interromper as obras iniciadas pelos antigos governantes.
- Às vezes, nós chegamos num Estado ou numa cidade, tem três, quatro obras paralisadas e, muitas vezes, o administrador fazendo uma obra nova, porque no Brasil se criou a cultura de que é preciso deixar a cara do governante na obra - disse.
Na semana passada, o prefeito José Serra (PSDB), que sucedeu a petista Marta Suplicy em São Paulo, suspendeu por 100 dias a construção de duas pontes na zona sul da cidade.
Em seu segundo compromisso do dia, na cidade de Caruaru (PE), para a inauguração de uma clínica do programa de assistência odontológica do governo, Lula aproveitou o momento em que alguns presentes vaiavam o prefeito da cidade Antonio Geraldo Rodrigues da Silva (PFL) para criticar o destaque que a imprensa dá às vaias quando elas acontecem.
Lembrando o noticiário do Fórum Social Mundial, que destacou as vaias recebidas por ele, Lula disse que o que acontecia em Caruaru só servia para a imprensa.
- (A vaia) dá para a imprensa o pretexto de, amanhã, ao invés de sair a manchete da faculdade para Caruaru ou a inauguração, sair que o prefeito foi vaiado, que o governador foi vaiado, que o presidente foi vaiado - disse Lula se referindo a assinatura de um protocolo de intenções entre o Ministério da Educação e a Universidade Federal de Pernambuco para a construção de um campus universitário na cidade.
- E aquilo que é a coisa mais importante, muitas vezes, não sai na imprensa.
Segundo Lula, as vaias no Fórum Social eram de uma minoria, mas foram amplamente noticiadas. Mesmo antes de Lula ir a Porto Alegre a mídia já noticiava a expectativa de que o presidente viesse a ser vaiado, particularmente por militantes que são contrários a política econômica do governo.