Rio de Janeiro, 01 de Maio de 2026

Lula, enfim, resolve elogiar Palocci

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira, que os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) são "extremamente" importantes para o governo e reafirmou o compromisso de não ampliar os gastos públicos antes de 2006, ano eleitoral. Em entrevista coletiva concedida à rádios regionais, no Palácio do Planalto, o presidente minimizou as divergências entre o ministro da Fazenda e a ministra-chefe da Casa Civil. (Leia Mais)

Sexta, 18 de Novembro de 2005 às 09:22, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira, que os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) são "extremamente" importantes para o governo e reafirmou o compromisso de não ampliar os gastos públicos antes de 2006, ano eleitoral. Em entrevista coletiva concedida à rádios regionais, no Palácio do Planalto, o presidente minimizou as divergências entre o ministro da Fazenda e a ministra-chefe da Casa Civil, que discordaram publicamente sobre a proposta de adoção de um plano fiscal de longo prazo no país, defendida pela equipe econômica.

- A divergência só existe onde existe democracia. É normal que dois ministros divirjam enquanto não tem uma decisão de governo - disse Lula.

Lula enfatizou que a proposta da equipe econômica ainda não é uma "política de governo", mas sim uma "tese" defendida por Palocci e pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Num primeiro momento, o presidente tentou mostrar que não pretende acirrar a disputa entre seus ministros e distribuiu elogios aos dois.

- O ministro Palocci é um ministro extremamente importante para o governo. A ministra Dilma é uma ministra extremamente importante para o governo - disse.

Um pouco mais tarde, porém, ao falar de infra-estrutura no Nordeste, voltou ao tema das divergências, afirmando que o governo iria resolvê-las, mas que ele pessoalmente gosta de "tensionar disputas".

- Duvido que exista alguém mais democrático do que eu, mas eu gosto de tensionar disputas - afirmou.

Segundo Lula, o governo adota uma política de ajuste fiscal por uma "questão de responsabilidade" e deixou claro que não pretende abrir os cofres públicos antes das eleições de 2006.

- Já tivemos muitos momentos na história do Brasil que em momento de eleição se fazia uma gastança enorme e depois a pessoa ficava no governo e não conseguia governar o segundo mandato porque não conseguia pagar a divida que tinha contraido para poder se reeleger, eu tenho dito que não faremos isso - disse.

'Esticar a corda'

O presidente Lula bateu na tecla de que não foi provada a existência do chamado mensalão, embora a palavra já esteja marcada na mente da população, e disse haver setores da oposição que estão procurando "esticar a corda" de olho nas eleições do próximo ano.

- O que eu desejo é que apurem com rigor tudo que já falaram publicamente, porque se não apurarem o que vai acontecer? Vai redundar no que aconteceu na CPI do Mensalão, vão chegar à conclusão de que não teve mensalão - disse Lula.

Na quinta-feira, o relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), leu seu relatório, no qual reconheceu que deputados receberam transferências indevidas, mas não foi categórico quanto à forma.

- Chamem isso de mensalão, mensalinho, semanão ou quinzenão - diz o texto do deputado.

Lula reclamou do fato de que na "na cabeça do povo brasileiro" já existe a idéia do mensalão:

- É uma palavra fácil. Agora quero ver quem vai tirar da cabeça do povo que tem mensalão.

E condenou a oposição que quer transformar todas as denúncias em questões eleitorais.

- Obviamente que tem gente séria, que quer apurar, mas tem gente que quer esticar a corda. Tem gente que não se contenta em ver o Brasil dar certo - disse o presidente.

Caso o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, seja convocado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades nos bingos (CPI dos Bingos), isso não será problema. Para Lula, o ministro deverá atender o pedido.

- A minha tese é de que quem não deve não teme - afirmou.

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