O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a manhã reunido em Copenhague com os integrantes da delegação brasileira na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) para acertar a tática que será adotada nas reuniões de alto nível que começaram nesta quarta-feira. O Brasil é um dos países que lideram as articulações do G77 – grupo de nações pobres e em desenvolvimento – para tentar fechar um acordo até sexta-feira que prorrogue até 2020 o Protocolo de Quioto. O tratado impõe aos países ricos a responsabilidade pelas emissões históricas de gases de efeito estufa.
Os negociadores brasileiros que saíram da primeira reunião do dia com Lula admitiram que a última e decisiva etapa da conferência começa no mais absoluto impasse.
– Nessa noite eu não dormi. Passamos a madrugada trabalhando, mas até o momento tivemos poucos avanços – lamentou o embaixador Luís Alberto Figueiredo, negociador-chefe do Brasil em Copenhague.
O presidente esteve no encontro com quatro governadores de Estados da Região Norte (Acre, Amazonas, Pará e Tocantins), além de José Serra, de São Paulo. O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, reiterou que ainda é preciso avançar muito e destacou a importância de os países ricos flexibilizarem as atuais posições para que se chegue a um entendimento.
– Disposição há. O que precisamos saber é se existe vontade política – afirmou.
Lula também manteve na agenda os encontros com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e com o presidente francês, Nicolas Sarkozy. O pronunciamento do brasileiro na conferência está previsto para a tarde desta quinta-feira.