Presidente da República reeleito por mais quatro anos, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta sexta-feira, o governador reeleito da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB) e, em seguida, o governador eleito do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PFL), ambos adversários dos petistas nas últimas eleições. As visitas seguem um programa de aproximação com os opositores, anunciado logo após o resultado das urnas, com o objetivo de ampliar a base de apoio do governo nas casas legislativas ou, no mínimo, reduzir o poder da oposição.
O governador paraibano é um dos principais articuladores do PSDB e próximo ao presidente. Após o encontro, ele afirmou que os tucanos não pretendem obstruir a governabilidade de Lula.
- O presidente tem uma boa relação com o Aécio Neves, com o Serra, comigo. Não há nenhuma obstrução no diálogo com o PSDB. O que faço é cumprir meu papel de governador. Seria uma insanidade deixar de estabelecer o diálogo com o governo - afirmou a jornalistas, à saida da reunião.
Lima admitiu, porém, que a oposição pretende reivindicar propostas colocadas como prioridade em seu segundo governo, especialmente a renegociação das dívidas com os Estados.
- Não queremos fazer oposição querendo ver o circo pegar fogo. Mas não queremos só o venha nós, também queremos o vosso reino - disse.
Durante a visita de Cunha Lima, o presidente revelou ao governador que espera um tratamento melhor da oposição nos próximos anos. Lima acrescentou que o presidente estaria convencido de que terá maior facilidade no diálogo político por não carregar o "peso" da reeleição.
- A compreensão dele é que o diálogo será mais fácil porque ele não tem a possibilidade de disputar a reeleição - afirmou.
Cunha Lima negou, ainda, que esteja de saída do PSDB, rumo a uma legenda que integra a base aliada do governo, a exemplo do PTB. Ele também negou ter recebido alguma repreensão dos tucanos por aceitar o diálogo com os governistas.
- Não admito puxão de orelha, tenho autonomia no partido - afirmou.
O tucano disse, ainda, que Lula convidou, na semana que vem, os governadores da base aliada para uma reunião, de onde sairá a posição para negociar com os governadores eleitos do PSDB e do PFL.
- O Serra já telefonou ao presidente Lula, disse que chegou de Nova York e está à disposição para conversar. Na semana que vem ele fala com os aliados e, posteriormente, com os demais - disse.
O encontro com os governadores seria uma estratégia do presidente Lula para ampliar o diálogo com o PSDB e o PFL nos próximos anos.