Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Lula encerra reforma ministerial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, irritado com o ultimato do presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE), não nomeou o deputado federal Ciro Nogueira (PP-PI) para o Ministério das Comunicações, como queria Severino. (Leia Mais)

Quarta, 23 de Março de 2005 às 07:28, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, irritado com o ultimato do presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE), não nomeou o deputado federal Ciro Nogueira (PP-PI) para o Ministério das Comunicações, como queria Severino. Após ser pressionado pelo PT, Lula encerrou a reforma ministerial, e fez apenas duas mudanças: substituiu Nelson Machado, ministro interino do Planejamento, e Amir Lando, da Previdência, por, respectivamente, Paulo Bernardo, deputado federal (PT-PR), e Romero Jucá, senador (PMDB-RO), ex-líder do Senado do governo Fernando Henrique.

Em conversa com peemedebistas de manhã, Lula desabafou:

- Não aceito pressão. É cada vez mais difícil a hipótese de o PP indicar um ministro para meu governo. Se eu ceder, acabou o governo. Tem alguém que possa segurar o Severino? - desabafou Lula em conversa com peemedebistas na manhã desta quarta-feira.

A pretexto da confusão provocada por Severino, Lula - que havia feito até demissões e convites - desistiu de fazer uma reforma mais ampla, que tiraria pastas do PT e reorganizaria o esquema de coordenação política. Com isso, o partido manteve Humberto Costa no Ministério da Saúde. Não houve também necessidade de desalojar Olívio Dutra das Cidades. Mas a senadora Roseana Sarney (PFL-MA) acabou sem pasta.

- Encerrei a reforma nessas duas mudanças. Não vou mexer no Aldo Rebelo e em mais ninguém - avisou o presidente em audiência com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e José Sarney.

Para fazer o governo sair da paralisia que marcou as últimas semanas e mostrar que pôs mesmo um ponto final no assunto, o presidente deu posse aos novos ministros ontem à tarde, em rápida solenidade, na qual sequer discursou, e convocou para hoje uma reunião ministerial.

Roseana fica fora e Sarney, contrariado

Mas a decisão de adiar indefinidamente a reforma não resolveu o problema da formação de maioria na Câmara e desagradou ao PP, que pode complicar ainda mais a situação, e ao senador José Sarney (PMDB-AP).

Lula trabalhava com a versão ampla da reforma. Buscava alternativas para acomodar Aldo Rebelo e chegou a ter com ele uma conversa. Demitiu o ministro e o convidou para a liderança do governo na Câmara. Nesta terça-feira, ao chegar ao Planalto, Lula já decidira mantê-lo no cargo: chamou Aldo e pediu que começasse a trabalhar imediatamente para reconstruir a maioria governista na Câmara. Para a Liderança, vai o deputado Arlindo Chinaglia (SP), ex-líder do PT, substituindo o deputado Professor Luizinho (PT-SP).

Um dos responsáveis pelas articulações fracassadas, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que a suspensão das negociações da reforma não enfraquece os ministros cotados para deixar o cargo mas que acabaram sendo mantidos, como Ciro Gomes (Integração Nacional), Olívio Dutra e Humberto Costa (Saúde).

- Os ministros têm a delegação de poder do presidente e o apoio do presidente. Não vejo por que os ministros ficariam enfraquecidos. Vamos fazer uma reunião e continuar fazendo o que estamos fazendo. Não houve interrupção de programa em nenhum ministério - disse Dirceu.

Um integrante da coordenação de governo disse que a decisão de Lula teve o objetivo de mostrar ao PP, e também ao PT, quem manda no governo. O PP porque tentou impor um ministro, e o PT por ter desestabilizado a coordenação política e desmanchado a maioria sólida que o governo tinha na Câmara.

Os peemedebistas também saíram da reunião preocupados com o fato de Roseana Sarney não ter sido nomeada e, por isso, saíram do encontro dizendo que o presidente fará nova reforma mais adiante.

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