Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Lula é recebido como símbolo em Paris

Paris foi uma festa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro dia da visita oficial que termina na sexta-feira. Nos encontros com políticos da direita e da esquerda da França, intelectuais, empresários, dirigentes de ONGs e a comunidade brasileira, Lula foi tratado como "um símbolo", apesar da crise política. (Leia Mais)

Quarta, 13 de Julho de 2005 às 17:52, por: CdB

Paris foi uma festa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro dia da visita oficial que termina na sexta-feira. Nos encontros com políticos da direita e da esquerda da França, intelectuais, empresários, dirigentes de ONGs e a comunidade brasileira, Lula foi tratado como "um símbolo", apesar da crise política e das acusações contra seu partido, o PT, e integrantes do governo.

Desde a primeira recepção pública, na Universidade Sorbonne, Lula foi recebendo manifestações de solidariedade cada vez mais calorosas, até ser ovacionado por milhares de pessoas na abertura do show de artistas brasileiros na Praça da Bastilha.

Visivelmente cansado depois da viagem de doze horas desde Brasília, Lula admitiu, para cerca de 300 estudantes e professores da Sorbonne, que fazia esforço para ficar acordado, pois não havia dormido no avião.

"Lula permanece um símbolo, não foi tocado pelas denúncias", comentou com jornalistas, na platéia, o sociólogo Alain Touraine, referência entre os estudiosos do Brasil na Europa.
Nenhuma manifestação contrária ao presidente foi registrada.

Depois de ser recebido por empresários em almoço, Lula trocou o jaquetão cinza claro, com gravata vermelha, que usava pela manhã. O calor passava dos 30 graus centígrados na cidade.
Ele decidiu visitar, na sede da Unesco, a exposição do fotógrafo Sebastião Salgado. Na véspera, Salgado dissera ao jornal "O Globo" que estava triste com a situação do Brasil, pois conhecia de perto "todos esses meninos", como tratou o ex-ministro José Dirceu e o próprio presidente.

Lula apareceu com um terno cinza escuro, mais leve, no Fórum Franco-Brasileiro da Sociedade Civil, encontro de organizações não-governamentais dos dois países. Ao chegar, foi aplaudido de pé, por mais de um minuto.

LÍDER

O presidente do Conselho Econômico e Social da França, Jacques Dermagne, o comparou ao presidente Charles De Gaule, ao Mahatma Ghandi e a Nelson Mandela. O coordenador das ONGs francesas, Henri d'Orfeuil, o tratou como "símbolo mundial da luta contra a desigualdade".

Na prefeitura de Paris, foi a vez do prefeito socialista Bertrand Dellanoe puxar os aplausos de convidados brasileiros e franceses, empresários, artistas e intelectuais em sua maioria.

"Você é um líder operário que não esqueceu suas origens", disse Delanoe.

Até aquele momento, o roteiro sem incidentes e com relativamente poucos atrasos parecia confirmar a manchete do jornal conservador parisiense "Le Figaro" sobre a viagem: "Lula fragilizado em Brasília, mas celebrado em Paris".

Por volta das 21h30, Lula chegou à Bastilha, ocupada por mais de cem mil pessoas, principalmente jovens, segundo os organizadores. Apresentado pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, como "meu chefe, meu patrão", fez uma saudação pouco usual:

"Quero dizer a vocês que o ser humano sempre será do jeito que quiser ser. Se a gente pensa pequeno, seremos pequenos. Se pensarmos grande, seremos grandes.

O Brasil não pode ser visto no mundo como um país grande pela sua extensão territorial, tem que ser um país grande pela qualidade de seu povo, pela solidariedade de seu povo, pelo humanismo praticado pelo povo brasileiro. Viva o Brasil, Viva a França!."

A multidão aplaudiu e o show começou, com Gilberto Gil, Gal Costa, Jorge Benjor, Seu Jorge, Lenine, Ilê Aye...

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