Brasil e Paraguai assinam uma dezena de acordos nesta segunda-feira, entre eles o compromisso para impulsionar obras de infra-estrutura e um regime especial de comércio na fronteira entre a Ciudad del Este e Foz do Iguaçu.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se encontrar com seu colega paraguaio, Nicanor Duarte Frutos, na sede do governo. Depois, os dois presidentes participarão da inauguração de duas turbinas em Itapu, no rio Paraná.
Lula chegou à capital do Paraguai na tarde de domingo para cumprir uma agenda centrada na discussão sobre biocombustíveis e para inaugurar junto com o presidente paraguaio as obras de ampliação da usina hidrelétrica binacional de Itapu. Essa é a primeira visita oficial de Lula ao país vizinho.
Em sua primeira atividade em Assunção, Lula participou de um encontro com dezenas de empresários paraguaios e brasileiros.
"Acredito que com isto se abre uma nova era de investimentos conjuntos, possivelmente com a instalação de fábricas brasileiras aqui e o trabalho cooperativo na área de etanol e biodiesel", afirmou Amorim.
O Brasil é o maior exportador mundial de etanol, elaborado a partir da cana-de-açúcar, e produz 400 milhões de litros de biodiesel por ano.
O Paraguai, um país agrícola que não tem reservas de petróleo e importa todo o combustível que consome, espera se transformar em um grande produtor de combustíveis de origem orgânica na região.
"Esta é uma reunião histórica para trocar experiências, oportunidades e impulsionar uma nova alternativa de desenvolvimento produtivo para nossos países", concluiu o ministro de Indústria e Comércio paraguaio, José Maria Ibáñez.
No último domingo, empresários paraguaios e brasileiros apresentaram aos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicanor Duarte reivindicações e sugestões para ampliar o intercâmbio comercial dos dois países.
Os principais produtos que o Brasil compra do Paraguai são cereais (milho e trigo) algodão, peles, couros e soja em grão, e exporta máquinas e equipamentos, veículos automóveis e tratores com suas partes e componentes, adubos, fertilizantes, combustíveis e lubrificantes, além de borrachas, e plásticos.
O chanceler brasileiro destacou que este foi um encontro inédito. "Eu trabalho em Mercosul há muitos anos e nunca vi um encontro Brasil- Paraguai desse tipo, com essa densidade". Amorim acredita esse encontro "vai abrir uma era nova para investimentos conjuntos possivelmente instalações de fábricas brasileiras aqui, trabalho cooperativo na área de biodiesel e de etanol".
O presidente da Câmara Paraguaia de Exportadores de Cereais e Oleaginosas, Jorge Heisecke, disse que o Brasil é um mercado natural para os produtos paraguaios, não só pela dimensão geográfica, mas principalmente pela proximidade.
"Na prática vemos uma série de problemas que impossibilitam esse comércio e que reflete na balança comercial, tão desfavorável. Quando temos a oportunidade, queremos que todo mundo nos escute, principalmente se for o presidente Lula".
Jorge Heisecke saiu otimista do encontro. Segundo ele, o presidente Lula reafirmou o compromisso brasileiro com o desenvolvimento do Paraguai.
"Nós apresentamos nossas queixas e acreditamos que vamos ter uma resposta positiva. Nós nos reunimos muitas vezes com o ministro Celso Amorim, que nos explicou que muitas vezes a burocracia é empecilho para que os produtos paraguaios cheguem ao Brasil ".