Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Lula e Kirchner abrem debate sobre a integração militar

Lula embarcou para Buenos Aires, nesta quinta-feira, onde se reunirá com os presidentes da Argentina e Bolívia para tratar de acordos economicos e estratégicos. (Leia Mais)

Quinta, 21 de Fevereiro de 2008 às 09:46, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou, nesta quinta-feira, para a Argentina onde se reunirá com os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e da Bolívia, Evo Morales. O presidente deve aproveitar a viagem para assinar acordos de cooperação na área militar e aeronáutica com a Argentina, além de discutir a questão energética.

Os presidentes do Brasil e da Argentina selarão uma parceria entre o país vizinho a Embraer, segundo o qual a empresa brasileira assumirá o controle de uma fábrica de aviões na província de Córdoba (atualmente em mãos da norte-americana Lockheed). Também deverá ser fechado um acordo para dar impulso à produção conjunta do veículo militar "gaúcho" (usado para o transporte de tropas) e um amplo memorando de cooperação em matéria de defesa.

 - Haveria a possibilidade de venda de aviões da Embraer para o mercado argentino, e a possibilidade de desenvolvimento de projetos aeronáuticos, de interesse mútuo, para o Ministério da Defesa argentino e a Embraer. Isso tudo ainda está pendente de negociação de textos, informou o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach.

Gás

Outro ponto da reunião entre os três países será a questão do gás boliviano. Quando questionado sobre a possibilidade de o Brasil ceder parte do gás que importa da Bolívia para a Argentina, Baumbach afirmou:

- O presidente Lula é sensível à necessidade argentina de assegurar condições para o atendimento da demanda energética interna, sobretudo no inverno. A exemplo do que foi feito no ano passado, com a cessão de energia elétrica, em momentos críticos de falta de energia na Argentina, o Brasil continuará se esforçando para ajudar, sempre que for viável, emendou o porta-voz.

Marcelo Baumbach, entretanto, deixou claro que a prioridade brasileira é o mercado interno. Brasil e Argentina importam gás da Bolívia - o governo brasileiro importa um volume quase dez vezes maior que a Argentina -, mas o governo boliviano já avisou que não vai poder cumprir os contratos iniciais, a não ser que o Brasil abra mão de parte de seu gás para a Argentina.

- O Brasil tem como prioridade o seu abastecimento interno e, portanto, não tem condições de rever esse volume de fornecimento que já consta do contrato.

Ele afirmou que o Brasil não pode se desabastecer nem abrir mão do volume de gás já contratado da Bolívia.

Destaque

O encontro entre os três países foi destaque na imprensa internacional nesta quinta-feira. 

- A crise energética sul-americana deixou de ser um cenário hipotético para se transformar em ameaça real, diante da qual todos os governos da região estão adotando medidas de urgência para evitar que dentro de poucos meses comecem os cortes massivos de fornecimento de energia. E a tensão política já começa a notar-se, afirma o diário espanhol El País.

Os jornais argentino esperam bons resultados do encontro. O La Nación afirmou que “a chegada de Lula se dá em clima de otimismo”. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que a relação bilateral com a Argentina é "a mais estratégica" de seu país.

Segundo o Página 12, também da Argentina, o encontro é "para brindar com caipirinha".

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