Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Lula e Erdogan voltam a buscar apoio internacional para iranianos

Quinta, 27 de Maio de 2010 às 11:07, por: CdB

Depois se reunirem há dez dias em Teerã para fechar o acordo nuclear do Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, almoçaram nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto. Ambos tentarão, mais uma vez, um esforço conjunto na busca pelo apoio da comunidade internacional em favor do diálogo e para evitar as sanções ao governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Lula e Erdogan também pretendem demonstrar que há empenho do Brasil e da Turquia para ampliar as relações bilaterais. Antes do almoço, eles assinaram uma série de acordos de cooperação mútua. Um dos mais relevantes é o que define o Plano de Ação Estratégica. Nele, o Brasil e a Turquia se assumem como países que mantêm afinidades nas áreas de defesa, ciência e tecnologia e cultura.

Atualmente, o Brasil mantém um Plano de Ação Estratégica com a França, Inglaterra, Suécia, Rússia e Espanha, além da União Europeia (UE). Mas a lista de acordos com a Turquia se estende ainda para o setor agrícola, uma parceria entre a Petrobras e uma estatal turca, e um projeto que propõe o fim da bitributação entre os dois países. No entanto, Lula e Erdogan concentraram as discussões em torno do acordo sobre a troca de urânio do Irã. Pela proposta, fechada no dia 17, o Irã enviará 1,2 mil quilos de urânio enriquecido a 3,5% para a Turquia. Depois, no prazo de até um ano, o Irã receberá dos turcos 120 quilos de urânio enriquecido a 20%.

Na última segunda-feira, o governo Ahmadinejad enviou carta à Agência Internacional de Energia Atômica (Aeia) informando detalhes do acordo. Na correspondência, ele pede ainda o apoio para encerrar o impasse e a ameaça de sanções econômicas geradas pela desconfiança de que o programa nuclear iraniano esconda a produção de armas atômicas.

Há ainda reações de desconfiança na comunidade internacional em relação à proposta. Nos últimos dias, Lula enviou cartas pedindo apoios aos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama; da França, Nicolas Sarkozy; da China, Hu Jintao; e do México, Felipe Calderón; além dos líderes que integram a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Na véspera, o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, disse que Lula e Erdogan querem intensificar ainda mais os esforços.

– O que os líderes tentarão é dialogar sobre como se pode fazer para que esse esforço diplomático possa ter continuidade; como se pode fazer para não desperdiçar a oportunidade que foi criada pela Declaração de Teerã [nome oficial do acordo nuclear]. A visita será também uma oportunidade para que o presidente e o primeiro-ministro Erdogan possam tratar de temas ainda não resolvidos pela Declaração de Teerã – disse o porta-voz.

De Brasília, Erdogan seguiu para o Rio de Janeiro, onde fica até domingo. O primeiro-ministro participará do 3º Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, que começou nesta manhã e terminará sábado, no Museu de Arte Moderna (MAM). O objetivo do fórum é discutir o tratamento discriminatório a muçulmanos e latinos nos países desenvolvidos, além da buscar de um acordo de paz que encerre o impasse entre palestinos e israelenses.

Fla x Gremio

Apaixonado por futebol, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, fez questão de garantir o sábado livre no Rio de Janeiro. Neste dia, ele só tem um objetivo: concentrar-se para assistir ao jogo entre o Flamengo e o Grêmio, no Maracanã. A amigos, o turco afirmou que sempre quis ver de perto uma partida de dois grandes times brasileiros no estádio.

O futebol é um esporte bastante popular na Turquia, que é filiada à Liga Europeia. Mas o país não estará presente na Copa do Mundo da África do Sul. A principal colocação obtida pela seleção turca em uma Copa foi terceiro lugar em 2002, na edição realizada na Coreia e no Japão.

Por estar integrada ao calendário do futebol europeu, a Turquia é considerada um bom mercado para jogadores e técnicos brasileiros. Carlos Alberto Parreira e Zico já treinaram o Fenerbahce, um dos principais times do país que, atualmente, conta com o meia Alex, ex-jogador do Palmeiras e do Cruzeiro. Didi, Roberto Carlos e Taffarel, entre muitos outros, também vestiram camisas de times turcos.

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