Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Lula e Dilma serão poupados dos debates entre PT e PMDB

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deverá intervir nos debates entre os aliados de seu partido, o PT, e do PMDB, em apoio à sua candidata à sucessão de 2010, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apenas no ano que vem. (Leia Mais)

Sexta, 27 de Novembro de 2009 às 12:03, por: CdB

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deverá intervir nos debates entre os aliados de seu partido, o PT, e do PMDB, em apoio à sua candidata à sucessão de 2010, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apenas no ano que vem. Ainda é cedo, segundo a avaliação políticos do governo, para os quais uma atuação agora – com o cenário eleitoral ainda obscuro e suscetível às mais variadas mudanças – para o peso-pesado da política brasileira entrar na mediação de impasses regionais, obstáculos à consolidação da aliança que daria a Dilma o maior tempo de TV no horário político gratuito.

– Em algum momento precisaremos do presidente e da ministra, mas não vejo necessidade agora – disse o presidente do PT, Ricardo Berzoini (PT-SP), a jornalistas.

Acontece que há no momento mais dores de cabeça que analgésicos na prateleira. A receita pode vir somente com o congresso do PT em fevereiro, quando as alianças serão chanceladas pela legenda. Até aí, nenhum alarme. O problema é se a definição ficar realmente para depois de março, quando ocorre a eleição da executiva nacional da sigla.

– É algo para o começo do ano – acrescentou Berzoini.

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), apoia a atuação do presidente ou de Dilma para solucionar entraves regionais, mas uma fonte do PMDB disse, sob condição do anonimato, que isso não é uma demanda da cúpula peemedebista e que "não é a hora para resolver isso".

Um dos problemas à vista, que deverá demandar a intervenção das figuras mais altas do Planalto, situa-se no Estado do Paraná, onde o PMDB nativo é amplamente favorável à candidatura própria do partido à Presidência da República em 2010. Uma manifestação foi organizada, nesse sentido, e será realizada nas galerias do Senado, na próxima terça-feira, em um ato público pelo lançamento do nome do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), à disputa ao Palácio do Planalto. O grupo pró-Requião quer que a convenção nacional do PMDB, marcada para o início de 2010, decida-se pela carreira solo.

O maior exercício de entendimento e de negociação política, no entanto, ocorre a milhares de quilômetros de Curitiba. No Pará, as direções do PT e do PMDB chamaram a petista Ana Júlia e o peemedebista Jader Barbalho, adversários na futura disputa pelo governo do Estado, para conversar. O diálogo seguirá uma agenda que, uma vez vitoriosa, deverá servir de base para o entendimento entre as duas legendas, nas demais unidades da Federação.

Instância máxima

A convenção peemedebista ocorre em junho e é a instância máxima com para chancelar a coligação. O risco é não amarrar compromissos a tempo e ficar sem esses preciosos votos dos convencionais. Os seis Estados mais estratégicos – portanto os de maior peso na convenção – não estão pacificados e oferecem alto grau de dúvidas quanto ao crivo à aliança. A aliança sofre rachaduras no Rio de Janeiro, entre o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT). Em Minas, a divisão tem Hélio Costa (PMDB) de um lado e, de outro, Patrus Ananias (ministro do Desenvolvimento Social - PT) e Fernando Pimentel (PT). Os dois Estados têm o maior peso na convenção, com 80 votos no Rio e 68 votos em Minas, conforme levantamento do partido.

Em seguida, vem o Paraná, com 63 votos. Lá, o governador Roberto Requião (PMDB) deve lançar seu vice, enquanto o PT cogita apoiar nome do PDT. No Ceará, que tem 51 votos, o problema não é para o governo, mas quem disputará as duas vagas no Senado. Rio Grande do Sul (50 votos) e Santa Catarina (49) configuram terrenos quase intransponíveis para Dilma. Em ambos, o PMDB pretende ficar ao lado do governador José Serra (PSDB), provável candidato da oposição, importando menos a eventual intervenção de Lula ou da própria candidata.

Fora esses, há pelo menos outros oito Estados em que a convivência não vai bem. Em São Paulo, por exemplo, enquanto o presidente regional da legenda, Orestes Quércia, deseja ficar com José Serra, o presidente da Câmara, Michel Temer, é cotado para ser o vice-presidente na chapa de Dilma. O Estado, nono lugar em termos de influência na convenção, provavelmente seguirá dividido, gerando a busca pelo voto a voto. Essa solução pode ser repetida nos locais onde não houver consenso com o PT.

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