Rio de Janeiro, 28 de Março de 2026

Lula: <i>Dossiê Serra</i> é abominável

Presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considerou "abominável e imoral", em entrevista ao jornal Bom Dia Brasil, da TV Globo, o escândalo do Dossiê Serra, como ficou conhecido o documento contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, candidatos ao governo do Estado de São Paulo e à Presidência, respectivamente. (Leia Mais)

Quinta, 21 de Setembro de 2006 às 09:14, por: CdB

Presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considerou o escândalo do dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, candidatos ao governo do Estado de São Paulo e à Presidência, respectivamente, "abominável e imoral". Em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo, na manhã desta quinta-feira, Lula disse que quer a apuração do caso o mais rápido possível. Ele também explicou que o afastamento de Ricardo Berzoini da coordenação da sua campanha não ocorreu por ele o julgar culpado.

- Não afastei o Berzoini porque acho que ele tenha culpa ou esteja envolvido, mas porque não posso, faltando dez dias para a eleição, ter como coordenador da companha uma pessoa que vai passar dez dias respondendo sobre o dossiê. Preciso de alguém que coordene a campanha, por isso chamei o companheiro Marco Aurélio - disse ele.

Além de Berzoini, três outros integrantes da campanha são acusados de participação na compra do dossiê. Jorge Lorenzetti, que integrava a coordenação de campanha do presidente, é apontado como um dos mandantes da negociação do documento. Expedito Afonso Veloso, diretor da área de Gestão de Riscos do Banco do Brasil, também foi afastado por supostamente ter recepcionado Valdebran Padilha da Silva, intermediário de Luiz Antônio Vedoin, principal envolvido na máfia das ambulâncias, que teria produzido e tentado vender o dossiê. Oswaldo Bargas, também afastado da campanha, foi secretário do Ministério do Trabalho durante a gestão de Berzoini. Ele teria procurado jornalistas da revista Época para oferecer os documentos contra os tucanos.

Lula, na entrevista, também disse que não sabe a origem do R$ 1,7 milhão que seria usado para pagar pelo dossiê nem o conteúdo do documento:

- Quando a pessoa oferece maldade e pede dinheiro, essa pessoa não é de confiança. As pessoas que receberam a proposta deveriam ter denunciado.

O presidente considerou o ato "imoral" e quer que seja investigado a fundo.

- Eu só quero apurar tudo e explicar a partir de um relatório e um veredicto final - disse.

O candidato também lembrou que sua situação na campanha eleitoral "é confortável" e o dossiê não o "ajudaria em nada":

- Estou em situação absolutamente confortável na campanha. Faltam dez dias para a eleição e não sei porque alguém vai querer um dossiê contra o candidato do governo de São Paulo ou contra o Alckmin. Qual seria o interesse da minha campanha?

Quanto ao candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, Lula disse que coloca sua mão no fogo por ele.

- Eu conheço o Mercadante e duvido que ele concordaria com uma atitude dessas - garantiu.

Programação mantida

Novo coordenador da campanha à reeleição do Presidente Lula, Marco Aurélio Garcia disse, na sede do comitê nacional, em Brasília, que a programação do candidato será mantida na reta final da campanha. Dez dias antes da eleição, Marco Aurélio assumiu o lugar de Ricardo Berzoini, envolvido na denúncia de compra de um dossiê que poderia conter informações prejudiciais a candidatos do PSDB.

Berzoini, segundo Marco Aurélio Garcia, foi afastado da campanha pelo presidente Lula porque teria dificuldades em compatibilizar as atividades de coordenação com as explicações que será obrigado a dar sobre as denúncias. Marco Aurélio informou que Ricardo Berzoini permanece na presidência do PT e continua merecendo seu apoio. Marco Aurélio informou, ainda, que a programação da reta final de campanha será mantida. Segundo ele, Lula deverá concentra-se nos estados do sul edo centro-sul encerando a campanha em um comício em São Bernardo do Campo.

- Nós repudiamos essa operação que algumas pessoas tentaram levar adiante. O PT não fez nenhuma iniciativa, mas hoje é de caráter público que pessoas estão envolvidas nessa operação. O PT não paga por dossiê, não atua nessa direção. As pessoas que fizeram isso foi à revelia do partido

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